Virgínia Fonseca depõe na CPI das Bets e nega lucro sobre prejuízo de apostadores
Influenciadores na mira: o caso de Virgínia Fonseca na CPI das Bets
O avanço do setor de apostas esportivas no Brasil trouxe, além de bilhões em movimentações financeiras, um debate urgente sobre regulamentação, ética e transparência na publicidade digital. No centro dessa discussão, está a influencer Virgínia Fonseca, que prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas Esportivas — popularmente chamada de CPI das Bets — nesta terça-feira, 7 de maio de 2025.
Conhecida por seu enorme alcance nas redes sociais, com mais de 45 milhões de seguidores no Instagram, Virgínia foi convocada para explicar sua relação com empresas do setor de apostas e as campanhas de marketing que estrelou. A sessão, realizada na Câmara dos Deputados, teve clima tenso, mas a influencer manteve a serenidade ao responder aos parlamentares.
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O depoimento de Virgínia Fonseca: principais pontos da audiência
A influência digital e os contratos com casas de apostas
Durante a oitiva, Virgínia afirmou que já participou de campanhas com casas de apostas esportivas, mas deixou claro que sua remuneração se baseava em critérios publicitários fixos, como visualizações e engajamento nas redes sociais. Segundo ela, não havia qualquer cláusula de comissionamento atrelada à perda dos jogadores.
“Nunca recebi porcentagem por quanto as pessoas perdiam. Recebi por divulgar um produto, como qualquer outro que anuncio em minhas plataformas”, declarou.
“Tudo tem bet no Brasil hoje”
Em um dos trechos mais comentados do depoimento, Virgínia apontou a normalização das apostas no país como um fator que levou muitos influenciadores a firmarem parcerias no setor:
“Hoje em dia, tudo tem bet no Brasil. Futebol, programas, até jogos de celular. À época, não se discutia esse impacto que estamos discutindo agora.”
A fala gerou reações entre os parlamentares, que destacaram justamente a necessidade de fiscalização e regulamentação para proteger os consumidores.
A CPI das Bets: o que está sendo investigado
O foco da comissão
A CPI foi instalada para apurar irregularidades em contratos, possíveis fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas online. Um dos principais alvos da investigação são as parcerias feitas com influenciadores digitais, especialmente quando há suspeita de que eles incentivam o público a apostar de forma irresponsável.
O relator da CPI, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), tem defendido o aprofundamento das investigações sobre contratos que preveem bônus por perdas dos apostadores, modelo considerado antiético e que pode configurar exploração da audiência.
Influencers sob suspeita
Além de Virgínia, outros nomes da internet estão na mira da CPI. Entre eles:
- Ney Silva, conhecido por fazer “lives de aposta” com conteúdo apelativo;
- Tirullipa, humorista que participou de campanhas com apostas e jogos de azar;
- MC Daniel, que também prestará esclarecimentos nas próximas semanas.
A comissão busca entender se os influenciadores receberam vantagens proporcionais ao prejuízo dos usuários, o que configuraria um conflito grave de interesses.
O impacto para o mercado de marketing de influência
O desafio da ética nas campanhas digitais
A participação de influenciadores em campanhas de apostas tem se tornado uma prática comum no Brasil, especialmente diante da expansão das “bets” desde a liberação de apostas esportivas de quota fixa em 2018. No entanto, a falta de regulamentação clara sobre transparência, responsabilidade social e limite de exposição pode colocar esses profissionais em situações controversas.
Com a CPI em andamento, empresas e criadores de conteúdo agora enfrentam pressão por maior responsabilidade social, algo que pode transformar o mercado de publicidade online.
Possíveis mudanças na legislação
A CPI das Bets pode contribuir com projetos de lei que:
- Exijam sinalização explícita de conteúdo patrocinado por casas de apostas;
- Restringem campanhas que estimulem ganhos fáceis ou certezas de lucro;
- Proíbam bônus atrelados à perda dos apostadores como critério de remuneração.
Essas medidas visam proteger principalmente jovens e pessoas vulneráveis, que podem ser atraídas por promessas ilusórias de enriquecimento rápido.
A defesa de Virgínia: estratégia e posicionamento
Afastamento de contratos
Virgínia esclareceu que não possui mais nenhum contrato vigente com casas de apostas. Segundo ela, o encerramento ocorreu antes mesmo da abertura da CPI, por razões estratégicas. Ela reforçou que não vê problema em campanhas publicitárias desde que sejam feitas com responsabilidade, mas reconhece que o tema exige maior cuidado.
Responsabilidade com o público
Durante o depoimento, a influencer destacou que entende a influência que exerce sobre seus seguidores e se comprometeu a avaliar mais criteriosamente suas futuras parcerias. Ela afirmou que jamais incentivaria práticas que possam prejudicar seus fãs ou induzi-los ao endividamento.
O que diz a legislação brasileira sobre apostas

A liberação das bets no país
As apostas de quota fixa (esportivas) foram autorizadas no Brasil pela Lei nº 13.756/2018. No entanto, a regulamentação efetiva ficou a cargo do Executivo, que só começou a avançar com normas claras em 2023. Com isso, empresas estrangeiras passaram a operar no país sem critérios padronizados.
A atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas
Desde 2024, o Ministério da Fazenda conta com a Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável por autorizar e fiscalizar empresas do setor. Um dos objetivos é coibir a atuação de plataformas ilegais e promover campanhas de jogo responsável, com alertas sobre vício em apostas.
Desdobramentos: o que pode acontecer após a CPI
Sanções para influenciadores
Caso a CPI conclua que houve má conduta ou violação ética por parte dos influenciadores, eles podem ser alvos de sanções administrativas e ações judiciais. Empresas também podem enfrentar processos por práticas comerciais abusivas.
Criação de códigos de conduta
Uma das propostas discutidas na comissão é a criação de um código de conduta para influenciadores digitais, com regras específicas sobre divulgação de apostas, jogos de azar e outros serviços financeiros de risco.
Considerações finais
A presença de Virgínia Fonseca na CPI das Bets marca um momento decisivo na relação entre publicidade digital, influenciadores e o mercado de apostas online no Brasil. Sua postura foi de colaboração, mas o episódio evidencia a urgência de um debate mais profundo sobre os limites da influência digital e a proteção do consumidor.
Enquanto a CPI continua, espera-se que novas regulamentações surjam para garantir mais transparência e responsabilidade. A influência dos criadores de conteúdo é inegável — e com ela vem uma responsabilidade que precisa ser exercida com ética, clareza e respeito ao público.
