CuriosidadesNotícias

Quem usou maquiagem primeiro no palco: Secos & Molhados ou Kiss?

A imagem de artistas do rock com maquiagem marcante se tornou um símbolo de irreverência e teatralidade. Entre os nomes que popularizaram essa estética estão a banda brasileira Secos & Molhados e o grupo norte-americano Kiss. Com figurinos exuberantes e rostos pintados, ambos marcaram gerações. No entanto, uma dúvida persiste: quem apareceu primeiro dessa forma nos palcos? Neste artigo, revisitamos as origens desse estilo, investigando datas, inspirações e contextos que moldaram esses ícones do rock visual.

Leia Mais:

Implante hormonal gratuito será oferecido pelo SUS para ampliar acesso à contracepção

O nascimento do visual teatral no rock

Artistas que vieram antes

Antes de Kiss e Secos & Molhados adotarem o rosto pintado como assinatura, outros nomes já exploravam esse tipo de visual. O britânico Arthur Brown, por exemplo, chocou plateias com maquiagem carregada ainda em 1968. Pouco depois, Alice Cooper acrescentou um toque sombrio ao visual do rock nos Estados Unidos a partir de 1971, utilizando tintas e adereços para criar uma persona de horror no palco.

Esses artistas ajudaram a estabelecer as bases do que viria a ser chamado de rock performático, misturando música, teatralidade e imagem visual forte.

O contexto de Secos & Molhados

Fundado em São Paulo em 1971, o grupo Secos & Molhados surgiu com uma proposta ousada e estética inovadora. Em 1973, ao lançar seu primeiro álbum, a banda já se apresentava com os rostos pintados, em produções que misturavam elementos de arte dramática, referências indígenas, circenses e andróginas. Ney Matogrosso, vocalista principal, se tornou um ícone visual com sua presença de palco expressiva e maquiagem impactante.

A ascensão da Kiss

Início da banda nos EUA

Formada também em 1973, a banda Kiss surgiu em Nova York, com quatro integrantes que adotaram nomes e personagens específicos: o demônio, o homem do espaço, o homem-gato e o garoto da estrela. Cada um com maquiagem própria e figurinos exagerados. A primeira apresentação com esse visual ocorreu ainda em março de 1973, alguns meses antes do lançamento do álbum de estreia de Secos & Molhados.

A estética do glam rock

Kiss foi fortemente influenciada pelo movimento glam, que já fazia sucesso com nomes como David Bowie e T. Rex. A banda levou essa proposta às últimas consequências, criando uma experiência visual única com explosões no palco, sapatos de plataforma e identidade visual constante — tudo isso antes de conquistar uma legião de fãs pelo mundo.

Linha do tempo: quem foi o primeiro?

maquiagem
Imagem – Bestofweb/Freepik
Banda/ArtistaEstreia com maquiagemPaís de origemDestaques
Arthur Brown1968Reino UnidoEstilo teatral e psicodélico
Alice Cooper1971–1972Estados UnidosPersonagem sombrio e assustador
Secos & MolhadosAgosto de 1973BrasilAndroginia e teatralidade tropical
KissMarço de 1973Estados UnidosGlam, personagens fixos e show pirotécnico

Embora Secos & Molhados tenha ganhado destaque nacional com seu álbum em agosto de 1973, a Kiss já vinha se apresentando maquiada meses antes, desde os primeiros shows no início daquele ano. Portanto, em termos cronológicos, Kiss foi a primeira entre as duas bandas.

Maquiagem como identidade: influências e trajetórias

Caminhos distintos com resultados marcantes

Apesar da proximidade temporal, as propostas de Kiss e Secos & Molhados eram muito diferentes. Enquanto o grupo norte-americano buscava uma estética baseada em personagens e superpoderes, voltada ao entretenimento e espetáculo grandioso, a banda brasileira usava a maquiagem como ferramenta de expressão artística, crítica social e quebra de padrões de gênero.

As influências de cada um também foram distintas. Kiss se inspirou em bandas glam britânicas, quadrinhos e filmes de terror. Já Secos & Molhados misturava referências culturais brasileiras com elementos do teatro kabuki e do expressionismo alemão, criando algo único e provocador.

Ney Matogrosso e a revolução de imagem

O papel de Ney Matogrosso foi fundamental para a identidade visual de Secos & Molhados. Seu modo de se apresentar, com voz aguda, corpo pintado e maquiagem intensa, quebrava tabus numa época de repressão no Brasil. Muitos estudiosos veem sua figura como precursora na luta por visibilidade da diversidade no país.

A maquiagem no rock como linguagem artística

A maquiagem no rock deixou de ser apenas um recurso estético e se transformou em parte da mensagem. No caso da Kiss, ela ajudava a criar um universo próprio, quase mitológico. No Secos & Molhados, havia uma intenção mais artística, provocadora e politizada.

Outros artistas ao longo do tempo seguiram essa tradição, como Marilyn Manson, Slipknot, Ghost e artistas de gêneros diversos, mostrando que o impacto visual continua relevante.

O debate sobre quem influenciou quem

A semelhança entre os visuais das duas bandas levanta uma questão: houve alguma influência direta? A resposta mais aceita por estudiosos da música é que não. Apesar da proximidade cronológica, as inspirações foram diferentes, e não há registros que comprovem que um grupo tenha copiado o outro. Mais provável é que ambos tenham sido frutos de uma mesma efervescência cultural da época.

A década de 1970 foi marcada por experimentações na arte e na música, e a maquiagem no palco foi um dos reflexos dessa liberdade criativa.

O impacto na cultura pop e no legado musical

Kiss: ícones do marketing e do espetáculo

A banda Kiss transformou sua imagem em um império de produtos licenciados, de bonecos a gibis. A maquiagem virou símbolo global, mesmo durante o período em que se apresentaram sem ela (entre 1983 e 1996).

Secos & Molhados: revolução cultural brasileira

Já no Brasil, o impacto de Secos & Molhados foi profundo e duradouro. Mesmo com vida curta como banda, eles abriram caminho para a liberdade de expressão artística e influenciaram gerações posteriores, tanto na música quanto nas artes visuais e no ativismo cultural.

Considerações finais

Secos & Molhados e Kiss são referências incontornáveis quando se fala em maquiagem no rock. Embora a Kiss tenha subido ao palco primeiro com rostos pintados, ambas as bandas foram pioneiras em seus contextos e ajudaram a moldar uma estética que se espalhou pelo mundo.

Mais do que uma competição sobre quem veio antes, o mais importante é reconhecer que ambas foram revolucionárias, cada uma à sua maneira, e continuam inspirando artistas até os dias de hoje.