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Cientistas revelam técnica mental que ajuda a recuperar lembranças da infância

O poder das lembranças esquecidas

Quem nunca tentou lembrar de momentos da infância e sentiu que a mente estava em branco? Esse fenômeno é conhecido como amnésia infantil e afeta praticamente todos os adultos. Mas, segundo uma pesquisa recente, pode haver uma técnica simples de acessar parte dessas lembranças guardadas.
Pesquisadores identificaram um truque mental capaz de estimular o cérebro a revisitar memórias que pareciam perdidas. A descoberta, divulgada por especialistas em comportamento e neurociência, vem despertando o interesse de quem busca compreender melhor o funcionamento da mente e o papel das lembranças na construção da identidade.

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Como funciona o truque mental para recordar o passado

A essência da técnica

O método consiste em visualizar-se como uma criança — o chamado “eu infantil” — e tentar observar o mundo sob essa perspectiva. A proposta é simples: fechar os olhos e imaginar uma cena comum da infância, prestando atenção nas cores, sons e sentimentos que surgem. Em seguida, o participante deve se perguntar:

“O que essa criança está vendo, ouvindo ou sentindo agora?”
Esse questionamento cria uma conexão entre o presente e o passado, despertando partes da memória que estavam adormecidas.

O que os cientistas descobriram

De acordo com o estudo, quando as pessoas se imaginam no papel de si mesmas em idade infantil, há maior ativação de áreas cerebrais ligadas à memória autobiográfica — a responsável por registrar experiências pessoais.
A técnica não busca apenas recordar fatos, mas reacender sensações e emoções associadas a determinados momentos. Assim, é possível relembrar cheiros, sons, brinquedos e cenas simples, como uma tarde no quintal ou uma refeição em família.

O que diferencia essa abordagem

O truque não exige hipnose, meditação profunda ou estímulos externos complexos. Ele depende apenas de foco e intenção. Essa simplicidade chama a atenção de psicólogos e terapeutas, que enxergam na técnica uma ferramenta potencial para o autoconhecimento.

A ciência por trás da lembrança

Por que esquecemos a infância

A dificuldade de lembrar os primeiros anos de vida está ligada ao desenvolvimento do cérebro. Na infância, estruturas responsáveis por consolidar memórias — como o hipocampo — ainda estão amadurecendo.
Com o passar do tempo, as informações dessa fase permanecem fragmentadas, armazenadas em áreas diferentes do cérebro, o que dificulta o acesso posterior.

A ponte entre o “eu adulto” e o “eu criança

Quando uma pessoa tenta imaginar sua versão mais jovem, ela ativa regiões ligadas à empatia e à autorreflexão. Esse processo, chamado de reconsolidação da memória, ajuda o cérebro a reorganizar lembranças antigas de forma mais acessível.
Além disso, o exercício desperta emoções associadas a momentos positivos, funcionando como um gatilho que reativa o registro original.

Estímulos que podem ajudar

Pesquisadores sugerem que o uso de fotos, músicas ou cheiros familiares pode intensificar o efeito da técnica. Esses estímulos funcionam como chaves sensoriais, capazes de abrir portas para memórias que estavam bloqueadas.

Passo a passo para tentar a técnica

Etapa 1: crie um ambiente tranquilo

Procure um local silencioso, onde você possa relaxar por alguns minutos. Respire profundamente e feche os olhos.

Etapa 2: visualize a criança que você foi

Imagine-se com 5 a 8 anos. Observe sua expressão, as roupas, o ambiente à sua volta.

Etapa 3: mergulhe na lembrança

Pergunte a si mesmo o que essa criança está experimentando — o que ela vê, ouve ou sente. Deixe que a memória flua sem julgamentos.

Etapa 4: registre o que lembrar

Anote detalhes que vierem à mente, por menores que pareçam. Com o tempo, esse hábito pode ampliar o acesso a lembranças sutis.

Etapa 5: mantenha uma rotina de prática

Repetir o exercício semanalmente pode fortalecer os circuitos neurais ligados à memória e aumentar a clareza das recordações.

O que esperar dos resultados

Benefícios emocionais

Resgatar memórias pode ajudar no processo de autoconhecimento, trazendo à tona partes da história pessoal que influenciam o comportamento atual. Muitos participantes relatam sensação de leveza, nostalgia e compreensão mais profunda sobre si mesmos.

Potenciais aplicações terapêuticas

Embora a técnica não substitua a psicoterapia, especialistas acreditam que ela possa auxiliar pacientes que desejam compreender padrões emocionais formados na infância. Em contextos clínicos, o método pode ser adaptado para estimular lembranças positivas e fortalecer a autoestima.

Limitações e cuidados

Nem todas as pessoas terão os mesmos resultados. Algumas podem não lembrar de nada ou acessar recordações imprecisas. É importante também ter cautela: tentar reviver situações traumáticas sem apoio profissional pode gerar desconforto emocional. O ideal é buscar orientação caso memórias dolorosas venham à tona.

Memória, emoção e identidade

Por que lembrar faz bem

Lembranças pessoais compõem nossa identidade e ajudam a compreender o presente. Reviver bons momentos da infância desperta emoções agradáveis, reduz o estresse e pode até contribuir para o bem-estar mental.
Estudos em neurociência apontam que revisitar memórias felizes estimula a produção de dopamina e serotonina, neurotransmissores relacionados ao prazer e à motivação.

A diferença entre lembrar e reviver

É importante distinguir recordação de reconstrução. Nem toda memória é fiel ao fato original — o cérebro tende a preencher lacunas e alterar detalhes com o tempo. Portanto, o objetivo da técnica não é reconstruir fatos exatos, mas reconectar-se com a essência emocional da lembrança.

O papel das memórias no envelhecimento

Manter o contato com recordações antigas é fundamental para a saúde cognitiva. Pesquisadores acreditam que exercícios como esse podem ajudar idosos a preservar a memória autobiográfica, reduzindo o risco de declínio cognitivo.

Cuidados e alertas dos especialistas

Psicólogos alertam que o truque mental não deve ser encarado como uma forma de “recuperar o passado” a qualquer custo. O processo precisa ser respeitoso e autocompassivo. Caso surjam lembranças difíceis, é recomendado procurar um profissional de saúde mental.
Também é importante não forçar o cérebro — memórias reprimidas, especialmente as traumáticas, exigem acompanhamento técnico e não devem ser acessadas sem preparo emocional.

Um convite à introspecção

Mais do que uma técnica para lembrar, o exercício propõe um reencontro com a própria história. Ele convida o indivíduo a olhar para o passado com curiosidade e empatia, valorizando o caminho percorrido até aqui.
Relembrar é, de certa forma, um ato de reconciliação com quem fomos — e uma oportunidade de compreender melhor quem somos.