
Supertufões: entenda como surgem e por que são tão devastadores
Nos últimos anos, o planeta tem enfrentado eventos climáticos cada vez mais intensos, e entre eles os supertufões ocupam um lugar de destaque. Essas tempestades tropicais ultrapassam os limites de força e destruição de um tufão comum e colocam milhões de pessoas em risco quando atingem áreas habitadas. Mas afinal, o que diferencia um supertufão de outros ciclones tropicais? Quais são as condições necessárias para que ele se forme e por que seu impacto é tão devastador?
Com base em estudos meteorológicos e na observação de casos recentes, este artigo busca explicar em detalhes o fenômeno, sua formação, classificação e consequências.
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Tufão, furacão e ciclone: três nomes para o mesmo fenômeno
Diferenças apenas geográficas
O que chamamos de tufão, furacão ou ciclone tropical é, na prática, o mesmo tipo de sistema atmosférico: uma gigantesca área de baixa pressão formada sobre oceanos quentes. O que muda é o local onde surge:
- Furacão é o termo usado no Atlântico e no Pacífico leste.
- Tufão é o nome adotado para tempestades no Pacífico noroeste.
- Ciclone tropical é mais comum no Oceano Índico e no Pacífico sul.
Portanto, a diferença está na geografia, não na estrutura do fenômeno.
O que torna um tufão “super”
O termo supertufão não tem um único critério global, mas geralmente se refere a tempestades com ventos sustentados extremamente altos. O Joint Typhoon Warning Center (JTWC), dos Estados Unidos, considera supertufão qualquer sistema que atinja ventos de pelo menos 241 km/h. Outras agências meteorológicas, como as de Hong Kong e do Japão, estabelecem limites um pouco menores, entre 185 km/h e 194 km/h.
Em resumo, só os tufões mais intensos entram nessa categoria, o que os coloca entre os fenômenos mais violentos da natureza.
Como se forma um supertufão

O papel do oceano quente
Para que um supertufão se desenvolva, o oceano precisa estar com a superfície bastante aquecida, acima de 26 °C. Essa energia térmica é o combustível que alimenta o sistema, evaporando grandes volumes de água que, ao se condensar, liberam calor e reforçam a circulação.
Condições atmosféricas favoráveis
Além da temperatura elevada do mar, outras condições são fundamentais:
- Baixa pressão para dar início ao movimento ascendente do ar.
- Cisalhamento de vento baixo, permitindo que a tempestade mantenha sua estrutura vertical.
- Umidade abundante na troposfera, essencial para formar nuvens altas e densas.
Etapas do desenvolvimento
- Distúrbio tropical: nuvens se agrupam sobre águas quentes e começam a girar em torno de uma área de baixa pressão.
- Depressão tropical: quando há circulação fechada, mas os ventos ainda são relativamente fracos.
- Tempestade tropical: o sistema ganha nome oficial ao ultrapassar 63 km/h de ventos sustentados.
- Tufão: surge quando os ventos passam de 119 km/h e o olho da tempestade começa a se formar.
- Supertufão: se as condições permanecem ideais, o ciclone se intensifica até atingir velocidades excepcionais, acima dos 200 km/h, entrando na categoria máxima.
Estrutura de um supertufão
- Olho da tempestade: centro de calmaria aparente e pressão atmosférica extremamente baixa.
- Parede do olho: a região mais perigosa, onde se concentram os ventos mais fortes e chuvas torrenciais.
- Bandas espirais de chuva: áreas externas com precipitações intensas, que podem atingir locais distantes do núcleo.
- Maré de tempestade: elevação anormal do nível do mar provocada pela força dos ventos, que empurra grandes volumes de água em direção à costa.
Por que um supertufão é tão perigoso
Ventos devastadores
Com velocidades superiores a 240 km/h, os ventos de um supertufão podem destruir construções, arrancar árvores, danificar redes elétricas e paralisar cidades inteiras.
Chuvas torrenciais
A quantidade de chuva despejada em poucas horas pode ser equivalente a semanas de precipitação normal. Isso gera enchentes súbitas, deslizamentos de terra e destruição de infraestrutura básica.
Marés de tempestade
Talvez o aspecto mais letal seja a maré de tempestade. Em áreas costeiras densamente povoadas, o avanço do mar pode inundar bairros inteiros, destruir portos e estradas e causar milhares de mortes.
Impactos prolongados
Mesmo após o enfraquecimento, um supertufão deixa um rastro de problemas: falta de energia, desabastecimento de água potável, colapso em sistemas de saúde e crises humanitárias que podem durar meses.
Como medir a intensidade de um supertufão
Escala Saffir-Simpson
Embora criada para furacões, essa escala também é usada como referência para tufões e supertufões. Vai da categoria 1, com ventos de 119 km/h, até a categoria 5, quando ultrapassam 250 km/h. Um supertufão quase sempre é classificado como categoria 4 ou 5.
Critérios regionais
Cada agência meteorológica pode adotar definições próprias. O Japão, por exemplo, define supertufão quando ventos sustentados passam de 185 km/h, enquanto o JTWC exige no mínimo 241 km/h. Apesar das variações, todas concordam que se trata do nível mais alto de intensidade.
O papel das mudanças climáticas
Oceanos mais quentes, tempestades mais fortes
Pesquisadores apontam que o aquecimento global está aumentando a energia disponível nos oceanos, favorecendo a formação de ciclones tropicais mais intensos. Isso significa que supertufões podem se tornar mais frequentes ou ainda mais violentos.
Padrões de deslocamento alterados
Além da intensidade, há indícios de que as trajetórias também estão mudando. Alguns ciclones permanecem mais tempo sobre o mar ou atingem áreas que antes eram raramente afetadas, o que amplia os riscos.
Debates científicos
Ainda há discussões sobre se o número total de ciclones está crescendo. O que parece mais claro é que a proporção de tempestades muito fortes, incluindo supertufões, tende a aumentar.
Exemplos recentes e históricos
Ragasa em 2025
O supertufão Ragasa ficou marcado como um dos mais potentes dos últimos anos, com ventos próximos a 265 km/h. Ao atingir a Ásia, provocou inundações, evacuações em massa e prejuízos bilionários.
Outros casos de destaque
- Haiyan (Filipinas, 2013): deixou milhares de mortos e é considerado um dos ciclones mais fortes já registrados.
- Tip (Pacífico, 1979): ainda é lembrado como o maior ciclone tropical em diâmetro da história.
- Mangkhut (2018): afetou Filipinas, Hong Kong e China continental com ventos violentos e chuvas torrenciais.
Prevenção e mitigação
Sistemas de alerta
Países em áreas vulneráveis investem em tecnologia de monitoramento via satélite, boias oceânicas e modelos de previsão. Quanto mais cedo as populações recebem alertas, maior a chance de evacuação segura.
Infraestrutura adaptada
Construções reforçadas, diques, barreiras costeiras e planos de evacuação são fundamentais para reduzir os danos. Países como Japão e Filipinas já possuem protocolos detalhados.
Educação da população
Comunidades informadas sabem como agir em emergências. Simulações de evacuação e campanhas de conscientização são ferramentas valiosas para salvar vidas.
Recuperação pós-desastre
Após a passagem de um supertufão, é essencial restabelecer serviços básicos, garantir alimentos e água, oferecer abrigo seguro e iniciar programas de reconstrução resiliente.
Considerações finais
Os supertufões estão entre os fenômenos naturais mais impressionantes e perigosos do planeta. Com ventos extremos, chuvas intensas e marés de tempestade capazes de devastar cidades inteiras, eles representam um desafio não apenas para os países asiáticos, onde são mais comuns, mas para toda a comunidade internacional diante das mudanças climáticas.
Entender como se formam, monitorar seu desenvolvimento e preparar populações vulneráveis são passos essenciais para reduzir riscos e salvar vidas. A ciência já mostrou que não podemos impedir a formação de supertufões, mas podemos mitigar seus efeitos por meio de tecnologia, planejamento e cooperação global.
