
Demência: o primeiro sinal pode não ser a perda de memória, alertam especialistas
Entenda o novo alerta sobre os primeiros sinais de demência
A demência costuma ser associada, quase automaticamente, à perda de memória. Porém, pesquisas recentes e observações clínicas indicam que esse não é sempre o primeiro sinal da doença. Neurologistas e geriatras têm observado que dificuldades de orientação espacial — como se perder em locais conhecidos ou ter problemas para se situar no tempo — podem surgir antes dos esquecimentos clássicos.
Segundo especialistas, a desorientação pode representar uma das primeiras manifestações de Alzheimer, a forma mais comum de demência. Essa descoberta amplia a forma como profissionais da saúde e familiares devem observar as mudanças cognitivas em idosos e até em adultos de meia-idade.
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O que é demência e como ela se manifesta
A demência é um termo amplo que descreve a perda progressiva de funções cerebrais importantes, como memória, raciocínio, linguagem, comportamento e capacidade de realizar atividades cotidianas. O Alzheimer é responsável por cerca de 60% a 70% dos casos, mas existem outros tipos, como demência vascular, frontotemporal e por corpos de Lewy.
Os sintomas variam conforme a área do cérebro afetada. Em muitos casos, o primeiro comprometimento não está na memória, mas na capacidade de planejar, se orientar e tomar decisões.
Como a demência afeta o cérebro
A doença provoca degeneração neuronal, afetando regiões como o hipocampo (relacionado à memória) e o córtex parietal, responsável pela orientação espacial. Assim, a pessoa pode começar a se sentir “perdida” mesmo em locais familiares, confundir direções ou esquecer o caminho para casa.
Essa alteração de percepção espacial é um sintoma precoce importante, mas frequentemente ignorado por familiares, pois não é tão evidente quanto o esquecimento.
O primeiro sinal pode estar na desorientação

Dificuldade de localização no espaço e no tempo
O neurologista Stephen Cabral, citado em diversos estudos sobre o tema, explica que o primeiro sintoma de demência pode ser a desorientação, e não a perda de memória. Pacientes relatam episódios em que não conseguem se lembrar de onde estão, confundem horários ou não reconhecem trajetos rotineiros.
Essas falhas surgem porque o cérebro começa a perder a capacidade de mapear e interpretar o ambiente, uma função essencial para a orientação espacial.
Por que esse sintoma aparece primeiro?
A desorientação pode preceder o esquecimento porque áreas cerebrais distintas são afetadas em tempos diferentes. No Alzheimer, por exemplo, as regiões responsáveis pela navegação espacial podem ser comprometidas antes do hipocampo — onde se consolidam as memórias.
Além disso, as primeiras placas beta-amiloides (marcadores da doença) tendem a se acumular em circuitos que conectam a visão, o equilíbrio e a percepção do espaço, alterando a forma como o cérebro interpreta o ambiente.
Outros sinais precoces de demência
Embora a desorientação seja um alerta importante, há outros sintomas que podem surgir nos estágios iniciais:
- Dificuldade para planejar tarefas simples, como organizar contas ou seguir uma receita.
- Mudanças de humor ou comportamento, incluindo irritabilidade, apatia ou desinteresse.
- Problemas de linguagem, como dificuldade em encontrar palavras ou se expressar.
- Redução da iniciativa social, com isolamento progressivo.
- Perda de senso de julgamento, levando a decisões incomuns ou perigosas.
Esses sinais nem sempre significam demência, mas indicam a necessidade de avaliação médica especializada.
Como diferenciar o esquecimento comum do patológico
Com o avanço da idade, é normal esquecer um nome ou um compromisso ocasional. No entanto, há diferenças claras entre o esquecimento natural e aquele associado à demência:
| Tipo de esquecimento | Características comuns |
|---|---|
| Normal | Esquecer algo e lembrar depois; não compromete o dia a dia |
| Patológico | Esquece eventos recentes, repete perguntas e se perde em locais conhecidos |
Se a pessoa demonstra confusão em situações cotidianas ou apresenta dificuldade para seguir rotinas habituais, é importante buscar orientação médica.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico de demência envolve uma combinação de avaliações clínicas, neurológicas e laboratoriais. O médico realiza testes cognitivos para analisar memória, linguagem, atenção e percepção espacial.
Além disso, exames de imagem — como ressonância magnética ou tomografia — ajudam a detectar alterações estruturais no cérebro. Em casos específicos, exames de sangue e testes genéticos podem ser solicitados para identificar causas secundárias.
Detectar o problema precocemente é essencial para iniciar tratamentos que retardam o avanço da doença e melhoram a qualidade de vida.
Fatores de risco e prevenção
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver demência, como idade avançada, histórico familiar, diabetes, hipertensão e sedentarismo. No entanto, a adoção de hábitos saudáveis pode reduzir as chances de desenvolvimento da doença.
Estratégias preventivas recomendadas
- Atividade física regular: estimula a oxigenação cerebral e melhora a circulação.
- Alimentação balanceada: dietas ricas em frutas, legumes, peixes e grãos integrais favorecem a saúde cerebral.
- Sono adequado: o descanso ajuda na limpeza de toxinas do cérebro.
- Controle de doenças crônicas: manter glicose e pressão arterial sob controle é fundamental.
- Estímulo cognitivo: ler, jogar, aprender idiomas e manter contato social fortalecem as conexões neurais.
Essas medidas, embora não impeçam totalmente a demência, ajudam a adiar o surgimento dos sintomas e a preservar a autonomia por mais tempo.
O papel da família no reconhecimento precoce
Muitos casos de demência passam despercebidos nas fases iniciais porque os familiares confundem os sinais com o “envelhecimento natural”. Observar mudanças sutis de comportamento e desorientação é fundamental.
É importante não minimizar comentários do tipo “não sei onde estou” ou “acho que peguei o caminho errado”. Esses relatos podem indicar algo além da distração comum e devem ser investigados.
A família também deve se preparar para lidar com o diagnóstico, buscando apoio psicológico e médico, tanto para o paciente quanto para os cuidadores.
Tratamentos disponíveis
Atualmente, não há cura para o Alzheimer ou outras formas de demência, mas existem medicamentos e terapias que ajudam a controlar os sintomas e desacelerar o progresso da doença.
Entre os tratamentos utilizados estão:
- Inibidores da colinesterase, que melhoram a comunicação entre os neurônios.
- Memantina, indicada para fases mais avançadas.
- Terapias ocupacionais e cognitivas, que mantêm as funções mentais ativas.
- Acompanhamento multidisciplinar, envolvendo neurologistas, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas.
O tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente — outro motivo para não ignorar os primeiros sinais.
Considerações finais
O primeiro sintoma de demência nem sempre é o esquecimento. Perder-se em lugares conhecidos, confundir direções ou ter dificuldade de se situar no tempo pode ser o verdadeiro alerta inicial.
Identificar precocemente essas alterações permite agir antes que a doença avance, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida do paciente. Estar atento, buscar avaliação médica e adotar um estilo de vida saudável são as principais armas contra a progressão da demência.
