Povo na Indonésia vive com os mortos dentro de casa e os tratam como se fossem vivos. Teria coragem?
Para muitos de nós, falar sobre a morte ainda é um tabu, um assunto que nos causa medo, pânico, traz ‘maus presságios’ e que é melhor ser evitado. Exagerei? Talvez nem tanto assim.
O fato é que para um povo da Indonésia, a morte é um assunto tão comum e presente que muitos dos mortos moram nas casas de suas famílias (e não, eles não são enterrados).
No país asiático, a tradição é secular e compartilhada por mais de 1 milhão de pessoas que vivem na região de Tana Toraja, na Ilha de Sulawesi. Lá, os mortos ‘são muito vivos’.

É de costume que no local, após a morte de alguém, o funeral ocorra depois de meses ou até mesmo anos. E durante esse período, as famílias prestam todo o cuidado à pessoa como se ela estivesse apenas doente, de acordo com informações da BBC. E esses cuidados envolvem alimentar, levar bebida, cigarros, trocar as roupas. E ah! Os mortos têm até um lugar para fazer suas necessidades.
Não o bastante, a atenção para com os parentes sem vida é quase que integral, sendo que raramente eles são deixados sozinhos e as luzes ficam acesas durante a noite. Mas por trás de tudo há uma razão: a crença popular diz que a ausência de cuidados com o familiar morto pode trazer o espírito dele para assombrar os vivos que o negligenciaram.
A preservação dos corpos é normalmente feita com o uso de formol e de ervas especiais que são esfregadas, o que deixa um líquido com forte odor no cômodo.
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Nas cavernas da região é muito comum que sejam encontrados ossos e esqueletos humanos – Foto: BBC
Outro detalhe que chama bastante a atenção é o fato dos Torajans passarem muito tempo de suas vidas guardando dinheiro para as cerimônias com os mortos. O acúmulo de riqueza não vai para uma vida de luxo, mas sim para um partida de glória.
E quanto mais dinheiro a família tiver acumulado ao longo da vida, mais elaborada será a despedida do parente que se foi, quando estiverem prontos emocionalmente para seguir com o funeral. E acredite, eles não economizam em nada com o momento do adeus.
E é só depois do funeral – que pode ser ‘festejado’ – durante dias, que o corpo é enfim ‘enterrado’ (colocado na parte de dentro ou de fora de alguma caverna, mas não debaixo da terra).
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É bastante raro e incomum que algum Torajan seja enterrado debaixo da terra – Foto: BBC / Reprodução
Os Torajans realizam um ritual chamado ma’nene (purificação dos corpos). Um enterro não significa adeus em definitivo. A cada dois anos, os caixões são retirados dos túmulos e abertos para um grande encontro entre os vivos e os mortos.
Em uma cerimônia, os parentes do falecido lhe oferecem comida e cigarros, além de deixá-los enfeitados e limpos. E no final de tudo, fotos são tiradas para álbuns familiares.
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No ritual do ma’nene, a cada dois anos os corpos são retirados de seus túmulos – Foto: BBC
E você, teria coragem de seguir essa tradição?

Nas cavernas da região é muito comum que sejam encontrados ossos e esqueletos humanos – Foto: BBC
É bastante raro e incomum que algum Torajan seja enterrado debaixo da
No ritual do ma’nene, a cada dois anos os corpos são retirados de seus túmulos – Foto: BBC