Curiosidades

Se os humanos sumirem, polvos poderiam assumir o planeta, afirma pesquisador

A possibilidade de que os polvos possam suceder os humanos como espécie dominante na Terra ganhou força após novas discussões científicas sobre inteligência, evolução e adaptações futuras. Em um mundo onde o aquecimento global e outros riscos existenciais levantam a hipótese real da extinção humana, estudiosos começam a refletir sobre quais seres poderiam ocupar nosso lugar. Entre eles, um candidato inesperado – mas impressionante – surge com destaque: o polvo.

A teoria foi proposta pelo professor Tim Coulson, pesquisador de zoologia da Universidade de Oxford, em seu livro mais recente, que revisita 13,8 bilhões de anos de história até chegar às espécies que habitam o planeta hoje. Para o cientista, os polvos não apenas possuem grande inteligência como apresentam capacidades cognitivas e fisiológicas que os tornam candidatos plausíveis a evoluir e construir civilizações próprias.

A seguir, entenda o que motivou essa hipótese, os argumentos científicos envolvidos e por que essa criatura marinha pode ser, segundo especialistas, a melhor aposta para o futuro da vida após a humanidade.

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Os polvos são realmente tão inteligentes?

Habilidades cognitivas impressionantes

Os polvos já são reconhecidos como alguns dos animais mais inteligentes do planeta. Estudos mostram que eles são capazes de:

  • resolver problemas complexos
  • utilizar ferramentas
  • abrir potes e mecanismos
  • se camuflar com extrema precisão
  • comunicar-se por mudanças de cores
  • aprender observando o ambiente

Essas habilidades demonstram não apenas inteligência, mas também um tipo de consciência adaptativa incomum entre espécies marinhas.

Adaptação extrema ao ambiente

A fisiologia dos polvos também impressiona. Cada tentáculo possui neurônios capazes de agir de forma quase independente, como se cada braço tivesse “sua própria mente”. Isso permite que o polvo tome decisões mais rápidas e independentes, favorecendo a sobrevivência e a exploração de novos ambientes.

Segundo Tim Coulson, essa combinação de neurologia avançada e plasticidade comportamental é rara e relevante para potencial evolução futura.

O que diz a teoria de Tim Coulson

O livro que reacendeu o debate

Em The Universal History of Us: A 13.8 billion year tale from the Big Bang to you, Coulson analisa a evolução das espécies sob uma perspectiva de longo prazo e questiona quais seres poderiam assumir papéis de maior influência na Terra caso os humanos desapareçam.

Para o pesquisador, os polvos apresentam três características essenciais:

Inteligência elevada

Eles operam sistemas cognitivos complexos, essenciais para avanços evolutivos.

Adaptabilidade ambiental

Sobrevivem em diversos ambientes oceânicos, apresentam capacidade de camuflagem e comportamentos inovadores.

Capacidade de resolução de problemas

A combinação de aprendizagem, memória e manipulação de objetos sugere que poderiam desenvolver estruturas sociais ou tecnológicas em um futuro distante.

Por que não os primatas?

Coulson chegou a considerar os grandes símios como possíveis sucessores naturais dos humanos, já que são nossos parentes evolutivos mais próximos. Porém, descartou essa possibilidade por fatores como:

  • populações pequenas
  • habitats muito restritos
  • baixa taxa de reprodução
  • dificuldade de adaptação em cenários extremos

Assim, em um cenário de colapso ambiental, eles provavelmente também seriam extintos.

Os polvos, por outro lado, vivem no mar – que pode se tornar um dos ambientes menos afetados em um cenário pós-humano – e possuem ciclos de adaptação muito mais rápidos.

Poderiam os polvos realmente construir civilizações?

Civilização não significa cidades e tecnologia humana

Coulson não afirma que os polvos criariam prédios, carros ou computadores. A ideia é que eles poderiam desenvolver sua própria forma de organização, baseada em suas habilidades naturais.

Comunicação complexa

Os polvos já se comunicam por cores e padrões, algo comparável a uma linguagem visual sofisticada. Isso poderia evoluir para sistemas mais elaborados.

Cooperação e estrutura social

Apesar de serem espécies majoritariamente solitárias, algumas observações mostram comportamentos colaborativos. Em longo prazo, a evolução poderia transformar isso em sociedades mais organizadas.

O futuro pós-humano: os candidatos mais prováveis

A opinião de Coulson não é isolada. Outros especialistas defendem que a próxima espécie dominante pode surgir de ambientes aquáticos, onde as mudanças climáticas podem ser menos devastadoras. A inteligência dos polvos, aliada ao potencial evolutivo que ainda não conhecemos completamente, faz deles uma aposta intrigante para um planeta sem humanos.

Se essa teoria estiver correta, nossos sucessores poderiam ser criaturas de oito braços, capazes de pensar, manipular, comunicar e se adaptar de maneiras que hoje apenas começamos a compreender.

Conclusão

Os polvos, frequentemente admirados por sua excentricidade e beleza, podem ser muito mais do que simples habitantes dos mares. Para alguns cientistas, eles representam uma possibilidade real de continuidade da evolução inteligente na Terra caso a humanidade caminhe para sua extinção. Inteligência, adaptabilidade e complexidade comportamental colocam esses animais no centro de um debate fascinante sobre o futuro da vida no planeta.

Enquanto enfrentamos desafios como o aquecimento global, essa reflexão também reforça um alerta: a vida segue, com ou sem a espécie humana. Se quisermos continuar sendo parte dessa história, precisamos agir agora.

E talvez, como brinca o próprio Coulson, devêssemos pensar duas vezes antes de comer nossos possíveis herdeiros evolutivos.