
Polvo e lula: quais são as diferenças entre esses fascinantes cefalópodes
Embora sejam frequentemente confundidos, polvo e lula pertencem a famílias distintas dentro da classe dos cefalópodes. Ambos são moluscos marinhos inteligentes e dotados de grande capacidade de adaptação, mas apresentam diferenças importantes que vão desde a estrutura corporal até o modo de vida. Compreender essas particularidades ajuda não só a distinguir as espécies, mas também a valorizar a diversidade da vida marinha.
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Anatomia comparada
Estrutura externa
A lula tem corpo alongado, com formato cilíndrico que facilita a natação em alta velocidade. Já o polvo exibe um corpo arredondado e mais compacto, o que o torna especialista em se espremer em fendas e cavernas.
Número de braços
Os polvos contam com oito braços semelhantes, cobertos por ventosas. As lulas também possuem oito braços, mas contam ainda com dois tentáculos adicionais, mais longos e adaptados para capturar presas rapidamente.
Presença de concha interna
Uma das diferenças marcantes é a concha interna. As lulas têm um suporte interno chamado “gládio” ou “pena”, que funciona como um esqueleto rudimentar. Os polvos, por outro lado, não possuem essa estrutura, o que lhes confere flexibilidade extrema.
Nadadeiras
Enquanto a lula apresenta nadadeiras laterais que ajudam no equilíbrio e na propulsão, o polvo não possui essas estruturas evidentes, deslocando-se com auxílio do jato de água e dos próprios braços.
Ventosas e aderência
As ventosas do polvo são distribuídas de maneira uniforme em todos os braços, garantindo firmeza na manipulação de objetos e no deslocamento por superfícies. Nas lulas, além das ventosas, os tentáculos possuem estruturas especializadas que aumentam a eficiência na captura de presas.
Fisiologia e adaptação

Locomoção
As lulas são consideradas nadadoras ágeis. O corpo aerodinâmico e o sistema de propulsão a jato lhes permitem percorrer longas distâncias. Já o polvo prefere rastejar pelo fundo do mar ou movimentar-se lentamente, embora também consiga expulsar água para fugir de predadores.
Camuflagem e defesa
Os dois animais dominam a arte da camuflagem, mas o polvo é um verdadeiro mestre. Ele pode mudar não apenas a cor, mas também a textura da pele, mimetizando rochas e corais. A lula também altera coloração, especialmente em interações sociais e na caça, mas sua camuflagem é geralmente menos elaborada.
Olhos e sentidos
Ambos possuem olhos grandes e altamente desenvolvidos, comparáveis aos de vertebrados. No entanto, as lulas se destacam pela visão adaptada à vida em águas abertas, enquanto os polvos contam com percepção refinada para ambientes de recifes e cavernas.
Ecologia e comportamento
Habitat
As lulas vivem principalmente em mar aberto, deslocando-se em diferentes profundidades conforme a espécie. O polvo prefere regiões costeiras, recifes e locais rochosos, onde pode se esconder.
Alimentação
Ambos são carnívoros. A lula utiliza os tentáculos longos para capturar presas em movimento, como peixes e camarões. O polvo, por sua vez, caça emboscando: espera em tocas e ataca crustáceos e moluscos, utilizando veneno injetado pelo bico para imobilizar a vítima.
Sociabilidade
Os polvos são, em geral, solitários e passam boa parte da vida escondidos. Já algumas espécies de lula podem formar cardumes, especialmente durante migrações ou períodos de reprodução.
Reprodução
O processo reprodutivo também difere. A fêmea do polvo deposita milhares de ovos em cavernas e permanece cuidando deles até a eclosão, muitas vezes morrendo logo depois. A lula costuma liberar ovos em aglomerados no ambiente marinho, sem o mesmo nível de cuidado parental.
Diversidade e tamanho
Espécies de destaque
O polvo-comum (Octopus vulgaris) é bastante conhecido e se espalha por diversos oceanos. Entre as lulas, chamam atenção a lula-gigante (Architeuthis dux) e a lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni), que podem atingir dimensões impressionantes.
Variação de porte
Enquanto alguns polvos têm apenas alguns centímetros, lulas podem variar desde poucos centímetros até dezenas de metros no caso das espécies gigantes. Essa amplitude de tamanhos reforça a diversidade dentro dos cefalópodes.
Interação com os seres humanos
Gastronomia
Tanto polvo quanto lula são consumidos em diferentes partes do mundo. A lula é usada em pratos como os famosos anéis de “calamari”, enquanto o polvo é apreciado em preparos mediterrâneos e orientais. As diferenças de textura são notáveis: a lula tende a ser mais firme e o polvo, mais macio quando cozido corretamente.
Pesquisas científicas
Polvos têm sido amplamente estudados por sua inteligência e capacidade de resolver problemas. Experimentos demonstram que são capazes de abrir frascos e usar objetos como ferramentas. As lulas, por sua vez, são importantes em pesquisas de biologia marinha e neurologia, especialmente por suas fibras nervosas gigantes, usadas como modelo em estudos sobre impulsos elétricos.
Importância ecológica
Além do interesse humano, esses animais desempenham papel fundamental nos ecossistemas. São predadores ativos e também presas de tubarões, golfinhos e grandes peixes. Sua presença indica equilíbrio ecológico nos oceanos.
Curiosidades interessantes
Defesa com tinta
Tanto polvos quanto lulas possuem glândulas que liberam tinta escura quando se sentem ameaçados. O objetivo é confundir predadores, criando uma cortina de fumaça que facilita a fuga.
Inteligência surpreendente
Polvos já foram vistos utilizando cascas de coco como abrigo e até manipulando pedras para bloquear a entrada de predadores em suas tocas. Já as lulas, em grupo, podem coordenar movimentos sincronizados, funcionando quase como um “cardume organizado”.
Vida curta
Apesar de toda a complexidade, polvos e lulas têm vida relativamente curta. Muitas espécies vivem apenas de um a três anos, o que contrasta com sua impressionante inteligência e habilidades.
Considerações finais
Polvos e lulas compartilham a mesma classe zoológica, mas seguem caminhos distintos em sua evolução. Enquanto a lula é uma nadadora veloz, equipada com tentáculos adicionais e uma concha interna, o polvo aposta na flexibilidade, na camuflagem e na astúcia. Suas diferenças anatômicas, comportamentais e ecológicas tornam cada um singular e reforçam o quanto o oceano abriga formas de vida extraordinárias.
Da próxima vez que ouvir falar em cefalópodes, você já saberá distinguir essas duas criaturas incríveis — e poderá apreciar ainda mais a riqueza do mundo marinho.
