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Picada de cobra: o que fazer, o que evitar e como agir com segurança

Acidentes com serpentes são mais comuns do que se imagina, especialmente em áreas rurais, regiões de mata ou em períodos chuvosos. Quando ocorrem, exigem atenção imediata, pois podem causar reações graves ou até a morte se o socorro não for prestado corretamente. Neste guia, reunimos as principais orientações para lidar com uma picada de cobra, desde os primeiros cuidados até as medidas a serem evitadas.

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Como reconhecer uma picada de cobra

Principais sinais após o ataque

Ao ser picado por uma serpente venenosa, os primeiros sintomas costumam incluir:

  • Dor intensa no local
  • Inchaço e vermelhidão
  • Marcas visíveis dos dentes
  • Sangramento leve ou hematomas

Com o avanço do quadro, o paciente pode apresentar:

  • Náusea e vômito
  • Suor excessivo
  • Queda de pressão
  • Dificuldade para respirar
  • Visão turva
  • Sonolência ou confusão mental

Esses sinais indicam que o veneno está se espalhando pelo corpo e reforçam a necessidade de atendimento médico imediato.

Primeiros socorros: como agir rapidamente

Ações recomendadas no local do acidente

  1. Acalmar a vítima: Manter a pessoa tranquila ajuda a reduzir os batimentos cardíacos e, consequentemente, a disseminação do veneno.
  2. Imobilizar o membro atingido: Evite movimentar o local da picada. O ideal é deixar o membro abaixo da altura do coração.
  3. Retirar acessórios apertados: Se a picada for em um braço ou perna, retire relógios, anéis ou pulseiras antes que o inchaço dificulte.
  4. Lavar o local com água e sabão: Isso ajuda a remover impurezas e prevenir infecções, mas sem esfregar ou aplicar produtos caseiros.
  5. Transportar a vítima com urgência ao hospital: Sempre que possível, leve a pessoa ao posto de saúde ou hospital mais próximo. A aplicação de soro antiofídico deve ser feita o quanto antes.

Registrar informações sobre a cobra

Se for possível com segurança, observe características da cobra — cor, tamanho, formato da cabeça e cauda. Isso pode ajudar na identificação e na escolha do soro correto. Nunca tente capturar o animal.

O que nunca deve ser feito em uma picada de cobra

picada
Imagem – Bestofweb/Freepik

Medidas perigosas que podem agravar a situação

  • Não faça torniquetes: Amarrar o membro impede a circulação e pode causar necrose.
  • Não corte ou sugue o veneno: Cortar a pele ou tentar sugar a toxina é ineficaz e pode causar infecções ou complicações.
  • Não aplique substâncias químicas ou caseiras: Gelo, álcool, café, folhas ou qualquer outro item não indicado por profissionais devem ser evitados.
  • Não dê bebidas alcoólicas ou estimulantes: Essas substâncias aceleram o metabolismo e ajudam a espalhar o veneno.

Tipos de cobras venenosas no Brasil

As serpentes mais comuns e seus efeitos

Jararaca

É responsável pela maioria dos casos no país. Seu veneno afeta o sistema circulatório, provocando hemorragias e necrose.

Cascavel

Seu veneno é neurotóxico e pode causar paralisia muscular, falência renal e alterações na coagulação.

Surucucu

Apesar de mais rara, sua toxina tem efeito hemorrágico e necrosante, exigindo atendimento rápido.

Coral verdadeira

Pequena e colorida, seu veneno atinge o sistema nervoso central e pode levar à insuficiência respiratória se não tratada a tempo.

Tratamento médico e uso do soro antiofídico

O que acontece após o atendimento hospitalar

Ao chegar a uma unidade de saúde, a vítima será avaliada para determinar qual tipo de soro deve ser aplicado. O Brasil possui quatro soros principais:

  • Soro antibotrópico (para picada de jararaca)
  • Soro anticrotálico (para cascavel)
  • Soro antibotrópico-laquético (para surucucu)
  • Soro antielapídico (para coral)

A administração do soro deve ser feita sob supervisão médica, geralmente por via intravenosa. O paciente fica em observação para verificar reações adversas e evolução do quadro clínico.

Consequências da picada se não tratada

Possíveis complicações

Se a pessoa não receber o tratamento adequado, o veneno pode causar:

  • Necrose no tecido afetado, podendo levar à amputação
  • Danos ao fígado, rins ou pulmões
  • Hemorragias internas
  • Parada respiratória ou cardíaca
  • Morte, em casos mais graves

O risco de complicações aumenta com o passar do tempo. Por isso, a recomendação é buscar ajuda médica nas primeiras duas horas após o acidente.

A importância da prevenção

Como evitar picadas de cobra

  • Use roupas adequadas em regiões de mata: botas, calças compridas e luvas são essenciais.
  • Não coloque as mãos em buracos ou entre pedras sem visualizar o interior.
  • Mantenha áreas limpas ao redor de casa, evitando acúmulo de entulhos e lixo.
  • Evite andar descalço em áreas de vegetação densa, mesmo em quintais e chácaras.

Dicas para trilheiros e trabalhadores rurais

  • Carregue sempre um celular carregado para emergências.
  • Esteja atento a barulhos ou movimentos no chão.
  • Utilize um bastão ou vara para afastar a vegetação enquanto caminha.
  • Informe alguém sobre sua rota e horário de retorno.

Picada de cobra: um problema de saúde pública

Situação no Brasil

O Ministério da Saúde registra cerca de 30 mil casos de acidentes ofídicos por ano no Brasil, sendo as regiões Norte e Nordeste as mais afetadas. Muitos desses incidentes ocorrem com trabalhadores rurais ou pessoas que vivem próximas a áreas florestais.

O Instituto Butantan, em São Paulo, é uma das principais referências nacionais na produção e distribuição do soro antiofídico, atendendo hospitais em todo o país.

Iniciativas de combate

Campanhas de conscientização e capacitação de agentes de saúde são realizadas em municípios com alta incidência de picadas, promovendo ações educativas e treinamento para lidar com emergências.

Considerações finais

Saber como agir diante de uma picada de cobra pode ser a diferença entre a vida e a morte. O primeiro passo é manter a calma e buscar socorro rapidamente. Evitar práticas perigosas, como torniquetes ou cortes, também é essencial para garantir a segurança da vítima.

Além disso, adotar hábitos preventivos reduz significativamente o risco de acidentes, especialmente para quem vive em áreas de risco. A informação continua sendo a melhor forma de proteger a si mesmo e aos outros.