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A ciência acredita: a pessoa que viverá até os 150 anos já está entre nós

O futuro da longevidade já começou

A ideia de uma pessoa viver até os 150 anos parecia, até pouco tempo atrás, coisa de ficção científica. Mas declarações recentes de um dos maiores especialistas em envelhecimento reacenderam o debate sobre os limites da vida humana. De acordo com o pesquisador David Sinclair, da Universidade de Harvard, a primeira pessoa que viverá até os 150 anos já nasceu — e os avanços na medicina regenerativa podem tornar isso realidade ainda neste século.

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Quem é David Sinclair e por que sua opinião chama atenção

Reconhecimento internacional

David Sinclair é um renomado geneticista e pesquisador australiano radicado nos Estados Unidos. Professor de genética na Harvard Medical School, ele é conhecido por seu trabalho sobre os mecanismos moleculares do envelhecimento e estratégias para retardá-lo. Sinclair já foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

Pesquisa voltada para o envelhecimento

Há décadas, o cientista estuda como reverter o envelhecimento das células, buscando maneiras de restaurar a vitalidade e prolongar a expectativa de vida. Em experimentos com camundongos, ele e sua equipe conseguiram “rejuvenescer” tecidos oculares e musculares, o que embasa sua convicção de que intervenções semelhantes serão aplicadas em humanos em breve.

Como seria possível viver até os 150 anos?

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Imagem – Bestofweb/Freepik

O papel da epigenética

A epigenética estuda as alterações que controlam a ativação ou desativação de genes, sem modificar o DNA. Sinclair aposta em técnicas de reprogramação epigenética, capazes de restaurar o funcionamento celular como se fosse o de uma célula jovem. Ou seja, não se trata apenas de viver mais, mas de envelhecer melhor.

Potencial de reversão do envelhecimento

Através de métodos como a ativação de genes específicos e uso de proteínas reguladoras, o envelhecimento pode ser parcialmente revertido. Isso abre caminho para manter a saúde por mais tempo, com menos doenças crônicas e maior qualidade de vida.

A promessa de terapias regenerativas

O pesquisador acredita que nos próximos 10 anos surgirão terapias com potencial para retardar significativamente o envelhecimento e até mesmo reverter danos celulares. Esses tratamentos, segundo ele, não ficarão restritos a laboratórios: poderão chegar às farmácias na forma de comprimidos, injeções ou intervenções genéticas simples.

O uso da inteligência artificial na medicina

A IA já está sendo usada para mapear mutações genéticas, identificar doenças precocemente e simular efeitos de medicamentos. Com o avanço da tecnologia, a combinação entre IA e terapias celulares pode acelerar descobertas e personalizar tratamentos contra o envelhecimento.

Posições divergentes entre cientistas

Otimistas e céticos em debate

A declaração de David Sinclair não é isolada. Cientistas como Steven Austad também acreditam que uma pessoa viva hoje pode alcançar os 150 anos. No entanto, há quem pense diferente. Jay Olshansky, da Universidade de Illinois, argumenta que a longevidade humana já atingiu seu teto biológico e que, mesmo com tecnologia avançada, viver além dos 120 anos será raro.

Uma aposta simbólica entre estudiosos

No início dos anos 2000, Austad e Olshansky fizeram uma aposta curiosa: cada um colocou US$ 150 em um fundo, e o vencedor será aquele cuja previsão estiver correta. O acordo prevê que, se alguém nascido antes de 2001 atingir os 150 anos até 2150, Austad vence. Caso contrário, Olshansky leva o valor acumulado. A disputa é informal, mas simboliza o dilema entre o avanço científico e os limites naturais da biologia.

A questão ética e social da longevidade extrema

Quem poderá se beneficiar?

Mesmo que essas terapias avancem, o acesso desigual à tecnologia médica pode ampliar as distâncias sociais. A longevidade, nesse cenário, poderia se tornar um privilégio de poucos, especialmente em países com infraestrutura de saúde precária.

Impacto nos sistemas previdenciários e econômicos

Se pessoas passarem a viver e trabalhar por mais tempo, haverá uma revolução nos sistemas de aposentadoria, emprego e educação. Precisaremos pensar em múltiplas carreiras ao longo da vida, políticas públicas de saúde para idosos ativos e novas formas de organização familiar.

O planeta comporta vidas tão longas?

Um aumento drástico na expectativa de vida global também levanta preocupações ambientais. Como alimentar, empregar e garantir qualidade de vida a bilhões de pessoas vivendo até os 150 anos? Sustentabilidade será peça-chave nesse debate.

A expectativa de vida hoje e no futuro

Panorama atual

Atualmente, a expectativa de vida média global gira em torno dos 73 anos. Em países desenvolvidos, como Japão e Suécia, já ultrapassa os 82 anos. No Brasil, a média está em cerca de 76 anos, segundo dados do IBGE.

Casos extremos documentados

O recorde de longevidade reconhecido pertence à francesa Jeanne Calment, que viveu até os 122 anos. Nenhum outro caso de vida tão longa foi verificado cientificamente. A maioria dos supercentenários (acima de 110 anos) chega nessa idade com algum grau de fragilidade física, o que contrasta com a proposta de viver mais e com saúde.

Quais tecnologias devem surgir até 2035?

Medicamentos antienvelhecimento

Drogas como rapamicina, metformina e NAD+ boosters já estão sendo estudadas em ensaios clínicos. Elas têm mostrado efeitos promissores na redução de processos inflamatórios e na renovação celular.

Eliminação de células senescentes

Células senescentes são aquelas que param de se dividir, mas continuam vivas, liberando toxinas e atrapalhando o funcionamento do corpo. Novas terapias poderão eliminá-las seletivamente, atrasando doenças associadas à velhice.

Engenharia genética e edição de DNA

Com tecnologias como CRISPR, será possível corrigir mutações genéticas e prevenir doenças hereditárias, atuando diretamente na causa de muitas enfermidades associadas à idade.

Vivemos uma mudança de paradigma?

Estamos entrando em uma nova era em que a longevidade deixa de ser um destino imutável e passa a ser uma questão tecnológica. Ainda não sabemos se o ser humano será capaz de viver com saúde até os 150 anos, mas os primeiros passos estão sendo dados com rapidez impressionante.

Considerações finais

A hipótese de que a primeira pessoa que viverá até os 150 anos já está viva não é mais uma utopia distante, mas sim uma previsão fundamentada em avanços científicos reais. A pesquisa de David Sinclair e outros especialistas revela que o envelhecimento pode ser entendido, retardado e até revertido em certas condições. No entanto, desafios éticos, sociais e econômicos ainda precisam ser enfrentados.

Vivemos um tempo em que o envelhecimento pode deixar de ser apenas uma consequência do tempo para se tornar uma escolha controlada pela ciência. O futuro da humanidade, ao que tudo indica, será mais longo — e exigirá preparo para isso.