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Pele de tilápia vira curativo para queimaduras e ganhará primeira fábrica do mundo no Brasil

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros está transformando a pele da tilápia em um curativo para o tratamento de queimaduras. O projeto, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC), passou por anos de pesquisas e agora deve ganhar produção em escala industrial com a construção de uma fábrica no Ceará.

A unidade será instalada em Jaguaribara, município conhecido pela produção de tilápia, e tem previsão de começar a funcionar em 2028. A expectativa é que o projeto amplie o acesso à tecnologia e dê uma nova finalidade à pele do peixe.

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Como a pele de tilápia pode ajudar no tratamento?

A descoberta surgiu a partir do estudo das características da pele da tilápia. Os pesquisadores identificaram que o material possui colágeno tipo I, uma proteína importante para a estrutura e a regeneração dos tecidos. A partir dessas características, a pele do peixe passou a ser estudada como uma possível cobertura para áreas afetadas por queimaduras.

Pele de tilápia passa por tratamento antes de ser utilizada

A pele de tilápia não é aplicada diretamente sobre a queimadura. Antes de se transformar em curativo, o material passa por processos específicos de limpeza, preparação e esterilização para que possa ser utilizado com segurança.

Uma das técnicas utilizadas é a liofilização, processo que retira a água do material e facilita sua conservação, armazenamento e transporte. Antes da aplicação, a pele de tilápia pode ser reidratada com solução fisiológica e preparada para ser colocada sobre a região lesionada.

Curativo pode reduzir a necessidade de trocas

Um dos principais diferenciais do curativo desenvolvido a partir da pele de tilápia é a capacidade de aderência à área lesionada. O material funciona como uma cobertura sobre a ferida e pode permanecer no local por mais tempo, dependendo das características da queimadura.

Menos trocas podem significar menos dor

A troca de curativos costuma ser uma das etapas mais desconfortáveis para pacientes com queimaduras. Por permanecer mais tempo sobre a região afetada, o curativo de pele de tilápia pode diminuir a frequência dessas trocas em determinados casos.

A tecnologia foi estudada principalmente para queimaduras de segundo grau, mas sua utilização depende da avaliação dos profissionais de saúde e das características de cada lesão.

Primeira fábrica será construída no Ceará

A futura fábrica representa uma nova etapa do projeto desenvolvido a partir da pesquisa com a pele de tilápia. Depois de anos de estudos realizados dentro da universidade, a tecnologia agora avança para a produção em escala industrial.

Produção poderá chegar a milhares de curativos

A expectativa é que a unidade produza inicialmente cerca de 4,3 mil curativos de pele de tilápia por dia. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a aproximadamente 12 mil unidades diárias.

O investimento previsto para a construção da fábrica é de cerca de R$ 52 milhões. A unidade será instalada em Jaguaribara, no Ceará, região que possui forte produção de tilápia.

Tecnologia aproveita material que seria descartado

Além da aplicação médica, o projeto também chama atenção pelo reaproveitamento da pele da tilápia. O material, que normalmente teria pouco aproveitamento após o processamento do peixe, passa a ser utilizado como matéria-prima para uma tecnologia voltada à saúde.

Resíduo da indústria pode virar produto médico

A pele retirada durante o processamento da tilápia pode acabar sendo descartada. Com o desenvolvimento do curativo, esse material ganha uma nova finalidade e passa a integrar uma cadeia de produção de um possível produto médico.

A proposta une pesquisa científica, saúde e reaproveitamento de resíduos da indústria pesqueira, dando uma nova função à pele de um peixe amplamente produzido no Brasil.

Quando o curativo estará disponível?

Apesar dos avanços nas pesquisas com a pele de tilápia, o produto ainda precisa passar pelas etapas regulatórias necessárias antes de ser comercializado e utilizado de forma ampla.

Anvisa terá papel no processo

A produção em larga escala e a disponibilização do curativo de pele de tilápia dependerão do cumprimento das exigências sanitárias brasileiras. O processo envolve etapas de avaliação, controle de qualidade e regulamentação.

Por isso, a previsão de funcionamento da fábrica em 2028 não significa que o curativo já esteja disponível para uso pela população. A tecnologia ainda precisa avançar nas etapas necessárias antes de chegar ao mercado.

Tecnologia brasileira desperta interesse internacional

A pesquisa desenvolvida no Ceará também chamou atenção de outros países. O interesse internacional mostra que a tecnologia criada a partir da pele de tilápia pode ter potencial para ultrapassar as fronteiras brasileiras.

Projeto pode ser expandido para outros mercados

México, Portugal e Turquia estão entre os países que já demonstraram interesse na tecnologia, segundo informações divulgadas sobre o projeto.

Com a possibilidade de produção industrial, o curativo de pele de tilápia pode transformar uma pesquisa desenvolvida em uma universidade brasileira em uma tecnologia com potencial de utilização em diferentes mercados.

Conclusão

A transformação da pele de tilápia em curativo para queimaduras mostra como a pesquisa brasileira pode encontrar soluções inovadoras a partir de materiais simples e abundantes. Com a previsão de uma produção industrial no Ceará, a tecnologia entra em uma nova fase, mas ainda depende das etapas regulatórias antes de chegar ao mercado.

Se os próximos passos forem concluídos conforme o planejado, o curativo de pele de tilápia poderá ampliar as alternativas disponíveis para o tratamento de determinados tipos de queimaduras e ainda dar um novo destino a um material que antes seria descartado.