
Os países com as maiores taxas de divórcio do mundo e o que explica esse fenômeno
A dissolução de casamentos tem se tornado um fenômeno global cada vez mais comum. Em várias partes do mundo, as mudanças de costumes, o avanço da independência feminina e a flexibilização das leis de família resultaram em um aumento expressivo das separações legais. Mas nem todos os países apresentam os mesmos números.
Estudos recentes revelam que as taxas de divórcio variam de forma significativa entre as nações. Em alguns lugares, o rompimento é simples e socialmente aceito; em outros, é um tabu cultural ou religioso. Nesta análise, veremos quais países lideram o ranking mundial de divórcios e os principais motivos por trás desses índices.
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Como o índice é calculado
A taxa de divórcio representa o número de separações oficiais registradas em determinado período. O cálculo pode variar conforme o país, mas geralmente é medido por cada mil habitantes ou por cada mil casamentos.
Diferenças entre as métricas
Nem sempre é fácil comparar nações distintas. Enquanto alguns governos utilizam dados atualizados e abrangentes, outros enfrentam falhas no registro civil ou diferenças nos critérios legais para o divórcio. Além disso, países com poucas uniões registradas podem apresentar taxas aparentemente elevadas mesmo com baixo número absoluto de separações.
Países com as maiores taxas de divórcio
O levantamento global mais recente aponta algumas nações que se destacam no topo do ranking de divórcios. As causas variam — de aspectos culturais e econômicos a leis mais flexíveis.
Maldivas
O pequeno arquipélago do Oceano Índico ocupa o primeiro lugar nas estatísticas mundiais. A cada mil pessoas, mais de cinco se divorciam anualmente. Entre os motivos estão a facilidade do processo legal, o baixo estigma social e o fato de que o casamento pode ser desfeito rapidamente, sem exigência de longos prazos ou custas elevadas.
Rússia
A Rússia também figura entre os países com mais divórcios por mil habitantes. Mudanças nos padrões familiares, dificuldades econômicas e o declínio da influência religiosa nas últimas décadas contribuíram para o aumento das separações. Além disso, o país enfrenta uma taxa de casamentos precoces, o que aumenta a chance de rompimentos.
Cazaquistão e Bielorrússia
Essas duas ex-repúblicas soviéticas apresentam números igualmente altos. A transição social e econômica após a queda da União Soviética trouxe instabilidade e transformou os laços familiares. Muitos casamentos se desfazem nos primeiros anos, principalmente nas áreas urbanas.
Lituânia e Moldávia
No leste europeu, países como Lituânia e Moldávia registram índices próximos a quatro divórcios por mil pessoas. O contexto é semelhante: mais autonomia individual, acesso facilitado ao divórcio e transformações nas expectativas de vida conjugal.
Portugal e Espanha
Na Europa Ocidental, as taxas de divórcio cresceram nas últimas décadas com a secularização e o fim do controle religioso sobre o matrimônio. Hoje, ambos os países estão entre os que mais se divorciam na União Europeia.
Fatores que explicam as altas taxas

Nenhum país lidera o ranking por acaso. O fenômeno é resultado de um conjunto de transformações sociais, culturais e econômicas.
Maior independência das mulheres
O aumento da participação feminina no mercado de trabalho reduziu a dependência econômica dos maridos. Isso possibilitou que mais mulheres deixassem relações infelizes ou abusivas.
Mudança nos valores e expectativas
As novas gerações enxergam o casamento sob outra perspectiva. A busca por realização pessoal e emocional pesa mais que a manutenção de uma relação insatisfatória. O divórcio, portanto, é visto como um recomeço, não um fracasso.
Menor influência religiosa
Em países de maioria secular, o casamento já não é mais considerado um laço indissolúvel. A perda de poder das instituições religiosas sobre a vida civil contribui diretamente para o aumento das separações.
Leis mais acessíveis e menos burocráticas
Locais onde o processo de divórcio é simples, rápido e barato apresentam mais registros oficiais de dissoluções. Em contrapartida, países que impõem restrições legais — como períodos obrigatórios de separação — tendem a ter índices menores.
Urbanização e estilo de vida moderno
A vida urbana, o estresse cotidiano e o ritmo acelerado de trabalho também têm impacto sobre as relações. Casais que convivem menos tempo juntos e enfrentam maiores pressões profissionais podem se afastar mais facilmente.
Comparativo entre regiões
Europa
O continente europeu apresenta uma das maiores médias mundiais de divórcios. Isso ocorre especialmente em países nórdicos e do leste europeu, onde a igualdade de gênero e o Estado laico estão consolidados.
América Latina
Na América Latina, as taxas são mais moderadas. Países como Brasil, México e Colômbia vêm registrando crescimento, mas o casamento ainda é fortemente influenciado pela religião e pela tradição familiar.
Ásia e Oriente Médio
Em muitas nações asiáticas e muçulmanas, o divórcio ainda enfrenta barreiras culturais e legais. No entanto, grandes centros urbanos como Tóquio e Dubai já registram crescimento significativo das separações entre jovens.
O que a taxa de divórcio realmente revela
É importante ressaltar que uma alta taxa de divórcio não significa necessariamente um fracasso social. Em muitos casos, ela reflete maior liberdade individual e igualdade entre os cônjuges.
Em contrapartida, países com índices baixos podem esconder uma realidade de casamentos forçados ou de mulheres sem autonomia para pedir a separação. Por isso, o número deve ser interpretado com cuidado e dentro de seu contexto cultural.
O caso brasileiro
No Brasil, o número de divórcios vem crescendo desde que a legislação se tornou mais simples. O processo pode ser feito em cartório, de forma consensual, e o estigma em torno da separação diminuiu bastante.
Mesmo assim, a taxa ainda é menor que a média de países europeus. Em 2024, o país registrou cerca de 2,1 divórcios por mil habitantes, segundo dados do IBGE. Os motivos mais comuns incluem incompatibilidade de valores, dificuldades financeiras e infidelidade.
Perspectivas para o futuro
Especialistas acreditam que as taxas de divórcio continuarão a oscilar conforme o avanço da tecnologia, o aumento da longevidade e as transformações culturais. Casamentos mais tardios e relacionamentos menos convencionais — como uniões estáveis e contratos personalizados — tendem a se tornar mais comuns.
A tendência global é de relacionamentos mais flexíveis, pautados na individualidade e na autonomia de cada parceiro. O casamento tradicional, embora ainda seja um pilar em muitas culturas, vem se adaptando às novas realidades sociais.
Considerações finais
O aumento das taxas de divórcio em várias partes do mundo reflete uma mudança profunda na forma como as pessoas encaram o amor, o compromisso e a liberdade pessoal. Países como Maldivas, Rússia e Portugal exemplificam que, embora o casamento continue sendo uma instituição importante, ele não é mais visto como uma obrigação eterna.
O fenômeno é complexo e multifacetado — e vai muito além de simples estatísticas. Ele revela o impacto de transformações sociais, o empoderamento feminino e o desejo crescente de viver relações mais autênticas e equilibradas.
