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Onda gigante de quase 20 metros registrada por satélite surpreende cientistas no Oceano Pacífico

O oceano voltou a demonstrar sua capacidade de surpreender até mesmo os pesquisadores mais experientes. Uma onda de quase 20 metros de altura foi registrada em pleno Oceano Pacífico por um satélite especializado em monitoramento oceânico, durante uma intensa tempestade tropical. O fenômeno chamou atenção não apenas pelo tamanho impressionante, equivalente a um edifício de aproximadamente seis andares, mas também pela distância extraordinária percorrida pela energia gerada pelo sistema meteorológico.

A descoberta foi realizada pelo satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography), uma missão desenvolvida em parceria entre a NASA e a agência espacial francesa CNES. Os dados obtidos estão ajudando cientistas a compreender melhor como as ondas se propagam pelos oceanos e como eventos extremos podem influenciar regiões localizadas a milhares de quilômetros de distância.

Além do valor científico, o registro reforça a importância da observação espacial dos oceanos em um momento em que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes em diferentes partes do planeta.

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Satélite SWOT registrou uma das maiores ondas já medidas em mar aberto

A observação ocorreu em 21 de dezembro de 2024, quando a tempestade tropical Eddie atingia seu momento de maior intensidade no Pacífico Norte.

Durante a passagem sobre uma das áreas mais afetadas pela tempestade, o satélite SWOT registrou uma altura significativa de onda de 19,7 metros. Embora o valor não represente necessariamente uma única onda isolada, ele corresponde à média das maiores ondas observadas em determinado intervalo de tempo, um parâmetro amplamente utilizado pela oceanografia para medir a força do mar.

O que significa altura significativa de onda?

A altura significativa é um conceito técnico utilizado por oceanógrafos para descrever as condições do oceano.

Em termos simples, trata-se da média do terço mais alto das ondas registradas em uma determinada área e período. Isso permite que cientistas tenham uma visão mais precisa da energia presente no mar durante eventos extremos.

Quando uma altura significativa atinge quase 20 metros, significa que diversas ondas gigantes estavam presentes simultaneamente, tornando o ambiente extremamente perigoso para embarcações e operações marítimas.

Comparação ajuda a entender a dimensão

Para visualizar melhor a magnitude do fenômeno, uma onda de 19,7 metros equivale aproximadamente a:

Altura de um prédio de seis andares

Edifícios residenciais de seis pavimentos normalmente possuem entre 18 e 21 metros de altura.

Duas girafas adultas empilhadas

Uma girafa adulta mede cerca de 5 a 6 metros de altura.

Um poste de iluminação de grande porte

Diversos postes utilizados em estádios e grandes avenidas possuem altura semelhante.

Essas comparações ajudam a compreender o quão extraordinária foi a medição realizada pelo satélite.

Por que registrar ondas gigantes é tão difícil?

Embora tempestades intensas gerem ondas gigantes regularmente em diferentes regiões oceânicas, registrar esses eventos no momento exato é uma tarefa extremamente complexa.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre. Além disso, tempestades se deslocam constantemente, alterando sua posição, intensidade e trajetória.

Limitações dos métodos tradicionais

Historicamente, a medição de ondas dependia de:

  • Boias oceânicas;
  • Navios de pesquisa;
  • Plataformas marítimas;
  • Satélites com capacidade limitada de cobertura.

Esses sistemas fornecem informações valiosas, mas normalmente monitoram áreas relativamente pequenas.

Como resultado, muitos fenômenos extremos acabam ocorrendo longe dos instrumentos de observação.

O diferencial do satélite SWOT

O SWOT representa uma nova geração de monitoramento oceânico.

Seu sistema utiliza tecnologia avançada de radar capaz de medir a superfície dos oceanos com precisão sem precedentes.

Entre suas principais capacidades estão:

  • Medição detalhada da altura das ondas;
  • Identificação da direção de propagação;
  • Monitoramento da energia transportada;
  • Cobertura de áreas muito maiores do que satélites anteriores.

Essa combinação permite aos pesquisadores observar fenômenos raros que antes passavam despercebidos.

Energia da tempestade percorreu quase metade do planeta

Se a altura da onda impressionou os cientistas, o comportamento da energia associada ao fenômeno foi ainda mais surpreendente.

Os dados revelaram que a energia gerada pela tempestade Eddie viajou aproximadamente 24 mil quilômetros através dos oceanos.

Uma jornada extraordinária

Segundo as análises, a energia iniciou sua trajetória no Pacífico Norte.

Posteriormente, as ondas seguiram em direção ao sul, atravessando a famosa passagem marítima localizada entre a América do Sul e a Antártida.

A importância da Passagem de Drake

A Passagem de Drake é considerada uma das regiões marítimas mais turbulentas do planeta.

Ali ocorre o encontro de diferentes massas de água e correntes oceânicas extremamente poderosas.

Essa dinâmica contribui para a propagação de grandes sistemas de ondas ao redor do globo.

Influência no Atlântico tropical

Após percorrer milhares de quilômetros, a energia continuou sua viagem até alcançar regiões do Atlântico tropical.

Na prática, isso demonstra que uma tempestade localizada em uma área distante pode afetar condições marítimas em continentes completamente diferentes.

Como as ondas transportam energia por longas distâncias

Um aspecto pouco conhecido do público é que as ondas não transportam grandes volumes de água ao redor do planeta.

Na verdade, o principal elemento que se desloca é a energia.

Funcionamento das ondas oceânicas

Quando ventos intensos sopram sobre a superfície do mar, parte de sua energia é transferida para a água.

Essa energia gera oscilações que passam de uma região para outra.

Mesmo após a dissipação da tempestade que deu origem às ondas, o movimento continua por milhares de quilômetros.

Ondulações que sobrevivem à tempestade

Em muitos casos, a tempestade responsável pela formação das ondas já desapareceu completamente quando as ondulações chegam a áreas costeiras distantes.

Por isso, praias podem registrar ressacas perigosas mesmo sem a presença de sistemas meteorológicos próximos.

Esse fenômeno é conhecido pelos especialistas como swell oceânico.

Impactos para a navegação e para as atividades costeiras

Compreender como as ondas se propagam é fundamental para diversas atividades econômicas.

Segurança marítima

Navios comerciais, embarcações pesqueiras e plataformas offshore dependem de previsões precisas para planejar operações com segurança.

O monitoramento avançado permite:

  • Evitar rotas perigosas;
  • Reduzir riscos de acidentes;
  • Melhorar operações de resgate;
  • Aumentar a proteção de tripulações.

Operações portuárias

Portos também se beneficiam dessas informações.

Ondas de grande porte podem:

  • Interromper embarques e desembarques;
  • Causar danos a estruturas;
  • Aumentar custos operacionais;
  • Gerar atrasos logísticos.

Quanto mais cedo as autoridades identificam a chegada de ondulações extremas, maiores são as chances de minimizar prejuízos.

Proteção das comunidades costeiras

Cidades litorâneas também dependem desse tipo de monitoramento.

A previsão de ressacas e ondas anormais ajuda autoridades a emitir alertas preventivos para moradores, pescadores e turistas.

Mudanças climáticas podem influenciar fenômenos extremos?

A relação entre ondas gigantes e mudanças climáticas ainda está sendo estudada pelos cientistas.

Os pesquisadores ressaltam que não é possível atribuir diretamente o evento registrado à elevação da temperatura global.

O papel dos oceanos mais quentes

Os oceanos absorvem grande parte do calor excedente acumulado no sistema climático da Terra.

Águas mais quentes podem fornecer mais energia para a formação de tempestades intensas.

Como consequência, alguns eventos extremos podem se tornar mais frequentes ou mais fortes.

Outros fatores também são importantes

A formação de ondas gigantes depende de diversos elementos além da temperatura da água:

  • Intensidade dos ventos;
  • Correntes oceânicas;
  • Relevo submarino;
  • Pressão atmosférica;
  • Oscilações naturais do clima.

Por isso, os cientistas analisam cada evento individualmente antes de estabelecer qualquer relação com as mudanças climáticas.

O futuro do monitoramento oceânico

O registro da onda de quase 20 metros reforça a importância dos satélites modernos para a compreensão dos oceanos.

A capacidade de observar fenômenos extremos em escala global representa um avanço significativo para a ciência.

Nos próximos anos, tecnologias como o SWOT devem fornecer informações ainda mais detalhadas sobre o comportamento das ondas, correntes marítimas e mudanças na superfície dos oceanos.

Esse conhecimento será essencial para melhorar previsões meteorológicas, aumentar a segurança marítima, proteger comunidades costeiras e ampliar a compreensão dos impactos climáticos em escala planetária.

A descoberta mostra que, mesmo após séculos de exploração e pesquisa, os oceanos continuam guardando fenômenos impressionantes capazes de desafiar o conhecimento humano e revelar novas informações sobre o funcionamento do planeta.