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O humano tem um “sétimo sentido”? Cientistas revelam descoberta surpreendente

Um grupo de pesquisadores do Reino Unido revelou uma descoberta que promete desafiar conceitos antigos sobre os sentidos humanos. Cientistas da Queen Mary University of London e da University College London identificaram um possível “sétimo sentido”, uma forma de percepção capaz de detectar objetos antes mesmo do contato físico.

Apresentado na Conferência Internacional de Desenvolvimento e Aprendizagem (ICDL) em 7 de novembro de 2025, o estudo sugere que os humanos podem perceber pequenas vibrações no ambiente, de maneira semelhante a algumas aves costeiras que sentem presas escondidas sob a areia.

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Humanos podem sentir objetos sem tocar

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Edição – @adrenalinapura/Freepik

O tato tradicionalmente envolve contato direto com superfícies ou objetos. No entanto, os experimentos realizados pelos cientistas indicam que essa definição pode ser insuficiente para compreender a totalidade da percepção humana.

O experimento com voluntários

Os pesquisadores solicitaram que voluntários buscassem cubos escondidos na areia apenas movimentando os dedos sobre a superfície. Os resultados surpreenderam: os participantes detectaram os objetos antes de tocar fisicamente, alcançando uma precisão média de 70,7%.

Comparação com inteligência artificial

Para entender melhor esse fenômeno, os cientistas compararam os resultados humanos com sensores robóticos equipados com algoritmos de inteligência artificial do tipo LSTM. Embora o robô pudesse detectar objetos a distâncias maiores, sua taxa de acerto foi significativamente inferior, de apenas 40%.

Esses resultados indicam que o corpo humano possui uma sensibilidade mecânica e perceptiva que a tecnologia atual ainda não consegue replicar com precisão.

Como funciona esse “novo sentido”

Segundo os pesquisadores, as mãos humanas são capazes de perceber deslocamentos mínimos nas partículas de areia provocados por objetos estáveis logo abaixo da superfície.

Semelhanças com animais

Esse mecanismo se assemelha ao de aves costeiras, que detectam presas através das vibrações do solo. Para Elisabetta Versace, líder do Laboratório Prepared Minds da Queen Mary e principal autora do estudo, essa é a primeira evidência concreta de um toque remoto em humanos, sugerindo que nossa percepção pode ir além do que tradicionalmente se imaginava.

A ciência por trás da percepção remota

A percepção remota não se limita à sensação física direta; ela envolve a detecção de vibrações transmitidas pelo meio, que nosso sistema nervoso consegue processar e interpretar. Esse tipo de sensibilidade implica que o corpo humano funciona como um instrumento complexo, capaz de captar estímulos sutis que normalmente passam despercebidos.

Impactos na ciência e na tecnologia

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Edição – @adrenalinapura/Freepik

A descoberta não é apenas um avanço teórico sobre a percepção humana, mas também abre novas possibilidades para aplicações tecnológicas.

Robótica e exploração ambiental

Ferramentas inspiradas no “sétimo sentido” humano poderiam ser usadas em robótica para localizar artefatos arqueológicos sem escavações invasivas ou explorar ambientes subterrâneos e submarinos de maneira mais eficiente e segura.

Integração com inteligência artificial

Segundo Lorenzo Jamone, coautor do estudo, a pesquisa une psicologia, robótica e inteligência artificial, mostrando que o corpo humano ainda guarda capacidades sensoriais pouco exploradas. Essa integração de ciência e tecnologia pode revolucionar a forma como projetamos sensores e máquinas inteligentes.

Implicações biológicas

Além da tecnologia, a descoberta levanta questões sobre a evolução da percepção humana. A existência de um “sétimo sentido” sugere que nosso corpo continua a desenvolver formas sutis de interação com o ambiente, o que pode ter implicações profundas em neurociência, psicologia e medicina.

Evolução sensorial

Se comprovada, essa capacidade poderia ser vista como uma evolução adaptativa, permitindo aos seres humanos detectar obstáculos e recursos ambientais de maneira mais eficiente, mesmo sem contato direto.

Potenciais aplicações médicas

A sensibilidade a vibrações mínimas também poderia abrir caminho para novas técnicas de diagnóstico ou reabilitação sensorial, auxiliando pessoas com déficits tácteis ou motores.

Questões ainda em aberto

Embora os resultados sejam promissores, ainda existem muitas perguntas a serem respondidas. Qual é a extensão máxima desse “tato remoto”? Quais áreas do corpo humano são mais sensíveis a esse fenômeno? E de que forma fatores como idade, experiência sensorial ou treinamento podem influenciar essa percepção?

Próximos passos da pesquisa

Os pesquisadores planejam realizar estudos mais amplos, com diferentes superfícies e objetos, além de explorar como esse sentido pode ser treinado e aprimorado. Também há interesse em investigar se outros animais, além das aves costeiras, compartilham mecanismos semelhantes aos humanos.

A descoberta de um possível “sétimo sentido” humano desafia a compreensão tradicional dos sentidos e abre uma nova era para estudos sobre percepção, tecnologia e evolução.

Enquanto cientistas continuam a explorar os limites dessa capacidade, a pesquisa reforça a ideia de que o corpo humano ainda guarda mistérios notáveis, e que a percepção vai muito além do que podemos ver, ouvir ou tocar.

A detecção de objetos sem contato físico direto, inspirada pelo comportamento de aves e potencialmente aplicável em robótica, mostra que os sentidos humanos ainda podem nos surpreender — e que a evolução sensorial continua ativa, talvez nos oferecendo habilidades que só agora começamos a entender.