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Nepal estima até US$ 5 bilhões para reconstrução após enchentes

O Nepal se prepara para uma das maiores operações de reconstrução de sua história recente depois das devastadoras enchentes que atingiram o país no fim de agosto. O governo estima inicialmente que serão necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para recuperar as regiões afetadas.

A estimativa foi apresentada pelo ministro das Finanças, Swarnim Wagle, e equivale a aproximadamente um décimo da economia nepalesa. O valor, porém, ainda não é definitivo. As autoridades realizam um levantamento detalhado para calcular os prejuízos e definir quanto será necessário para reconstruir o país.

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Custo da reconstrução ainda pode aumentar

Uma avaliação mais recente indica que o levantamento definitivo poderá apontar perdas superiores às primeiras estimativas. Segundo o Kathmandu Post, o governo espera concluir uma avaliação pós-desastre nas próximas semanas, que servirá como base para determinar as necessidades de recuperação e organizar uma futura conferência com possíveis doadores.

O cálculo deverá considerar não apenas os danos materiais, mas também os impactos econômicos e sociais provocados pela tragédia.

Como as enchentes começaram no Nepal

Colapso de geleira desencadeou a tragédia

A catástrofe começou em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira na região do Himalaia provocou uma enorme corrente de água, gelo, pedras, lama e outros detritos.

A força do material atingiu sistemas fluviais e comunidades próximas aos rios Bhotekoshi e Trishuli, na região próxima à fronteira com a China. A enxurrada destruiu construções, interrompeu estradas e arrastou pontes.

O desastre também atingiu projetos de geração de energia e comunidades que dependiam diretamente das estruturas destruídas para transporte, abastecimento e atividades econômicas.

Tragédia deixou milhares de vítimas

O número de vítimas aumentou durante os dias seguintes ao desastre. Dados divulgados pelo governo em 8 de setembro apontavam 1.377 mortos, 5.326 desaparecidos e 6.827 feridos.

As operações de busca e resgate continuam sendo uma das principais prioridades das autoridades, enquanto milhares de famílias aguardam informações sobre parentes desaparecidos.

Milhares de casas terão de ser reconstruídas

Cerca de 20 mil moradias estão na lista

A destruição provocada pelas águas atingiu diretamente milhares de famílias. Segundo levantamentos divulgados pelas autoridades, aproximadamente 20 mil casas precisarão ser reconstruídas, incluindo cerca de 7.500 que foram completamente destruídas.

Em algumas áreas, o problema não é apenas reconstruir as residências. As autoridades avaliam que determinadas comunidades podem precisar ser transferidas para locais considerados mais seguros.

Isso significa que a recuperação deverá envolver novas moradias, infraestrutura urbana e acesso a serviços básicos.

Estradas e pontes também foram destruídas

A reconstrução terá de incluir estruturas fundamentais para conectar as comunidades afetadas.

Rodovias e pontes foram destruídas ou ficaram inutilizadas, dificultando o acesso das equipes de emergência e o transporte de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.

O governo também precisará recuperar redes de água, energia e outras instalações públicas.

Usinas hidrelétricas estão entre as áreas mais afetadas

Setor de energia sofreu grandes prejuízos

Outro ponto crítico é a infraestrutura hidrelétrica. O Nepal depende fortemente da geração de energia a partir dos rios alimentados pelas montanhas do Himalaia, o que tornou o setor particularmente vulnerável à força das enchentes.

Levantamentos apontam que pelo menos uma dúzia de projetos hidrelétricos em áreas atingidas sofreu danos, enquanto estimativas anteriores indicaram que estruturas afetadas representavam uma parcela relevante da capacidade de geração do país.

A recuperação dessas instalações será importante não apenas para as comunidades atingidas, mas também para a economia nepalesa.

Nepal busca ajuda para financiar reconstrução

Governo prefere doações a novos empréstimos

O tamanho da conta coloca o governo diante de uma difícil decisão financeira. As autoridades afirmaram que pretendem buscar doações e ajuda internacional antes de recorrer a novos empréstimos.

O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou que o país prefere recursos não reembolsáveis porque o aumento da dívida poderia pressionar ainda mais as contas públicas. No entanto, representantes do governo reconhecem que as doações provavelmente não serão suficientes para cobrir toda a reconstrução.

Fundo climático também pode ser utilizado

O Nepal pretende ainda buscar apoio por meio do Fundo de Perdas e Danos, mecanismo internacional voltado aos impactos provocados pelas mudanças climáticas.

A estratégia faz parte de uma tentativa de obter recursos adicionais para reconstruir áreas vulneráveis e melhorar a capacidade do país de enfrentar novos eventos extremos.

Desastre reacende debate sobre mudanças climáticas

Himalaia enfrenta riscos crescentes

A tragédia também trouxe novamente à discussão os efeitos do aquecimento global sobre as regiões montanhosas.

O governo nepalês afirma que as mudanças climáticas contribuíram para aumentar a vulnerabilidade do país. A preocupação está relacionada ao derretimento de geleiras, às alterações nos rios e ao risco de eventos extremos em áreas onde vivem comunidades próximas às montanhas.

Por isso, a reconstrução poderá envolver mudanças no planejamento urbano e na localização de algumas comunidades.

Sistemas de alerta devem ser reforçados

Além de reconstruir o que foi destruído, as autoridades pretendem melhorar os sistemas de alerta e a preparação para novos desastres.

A experiência das enchentes mostrou as dificuldades de monitorar áreas remotas do Himalaia e emitir avisos com antecedência suficiente para permitir a retirada da população.

O governo também avalia mudanças no planejamento de bacias hidrográficas e a retirada de pessoas de regiões consideradas de alto risco.

Nepal terá uma longa recuperação pela frente

A estimativa de até US$ 5 bilhões para a reconstrução do Nepal revela a dimensão dos danos provocados pelas enchentes. O país precisa recuperar casas, estradas, pontes, usinas e serviços essenciais, ao mesmo tempo em que continua procurando desaparecidos e oferecendo assistência aos sobreviventes.

O valor final ainda não está definido e poderá mudar após a conclusão da avaliação pós-desastre. As autoridades esperam utilizar o levantamento para organizar as prioridades e buscar apoio financeiro internacional.

Mais do que reconstruir estruturas destruídas, o desafio será criar condições para que as comunidades afetadas estejam menos vulneráveis a futuras enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.

Para um país de economia relativamente pequena, encontrar recursos para financiar essa recuperação será uma tarefa complexa. Por isso, a busca por doações, financiamento internacional e mecanismos relacionados às mudanças climáticas deverá ocupar papel central nos próximos meses