A Boa do Dia

Mulheres estão arrancando os cabelos sem parar. E tudo está relacionado a esta doença

Você já ouviu falar de Ticotilomania? Uma mulher que sofre dessa doença, já perdeu oportunidades de emprego e afastou pessoas de seu convívio por conta de uma mania incontrolável que a faz arrancar os cabelos.

Aos 31 anos de idade, mãe de dois filhos e divorciada, Ana Carolina Collini Botti, há 20 anos passa pela Tricotilomania, uma doença caracterizada pela mania de arrancar seus próprios cabelos ou outros pelos do corpo. Moradora da cidade de São Roque em São Paulo, ela conta que arranca o cabelo com a mão, ou quando esta muito curto com a pinça. Em fases de crise, raspa “na zero”. Ela também desabafa sobre o preconceito que a atingi, “As pessoas olham com muito preconceito. Olham e acham que a gente é louca ou que faz isso para chamar atenção”, expressa.

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Ana começou a manifestar a doença aos 11 anos de idade. Na adolescência sofreu com depressão e ansiedade, o que agravou o problema. A paulistana conta que foi muito difícil lidar a tricotilomania, já que não conhecia ninguém com o mesmo problema e não se sabe muito sobre a doença. Desde de que começou a manifestar a mania, conseguiu ficar apenas dois meses sem arrancar os cabelos.

Além de tudo, preconceito com sua aparência afastou pessoas e tornou difícil a entrada no mercado de trabalho. Ana conta que usou até perucas de fios naturais, mas odiava. Hoje, ela trabalha ocasionalmente em eventos fazendo pinturas faciais e recorre a lenços para sair nas ruas. Porém, em casa e nas redes sociais gosta de mostrar como realmente é.

Contudo, Ana não sabia que tinha Ticotilomania até assistir uma reportagem na televisão sobre a doença, o que a fez procurar ajuda para se tratar. Ela esta fazendo acompanhamento há cerca de 5 anos no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade de São Roque.

Para você ter uma ideia da quantidade de pessoas que apresentam a doença, em 2016, de acordo com o Ministério da Saúde, 54 atendimentos relacionados ao transtorno foram listados e , até julho deste ano, tivemos mais 38 registros de atendimentos ambulatoriais.

Esperamos que Ana se cure e as pessoas parem julga-la. Assim como deve ser difícil para alguém parar de roer unha ou se livrar de qualquer outra mania, deve ser muito mais difícil parar de arrancar os cabelos.