Cultura

Morre aos 76 anos a atriz Lúcia Alves, ícone das novelas da Globo e pioneira do horário das seis

Nesta quinta-feira, 24 de abril de 2025, o Brasil se despediu de uma das atrizes mais carismáticas da teledramaturgia nacional. Lúcia Alves faleceu aos 76 anos após uma longa batalha contra o câncer de pâncreas. A atriz estava internada há dez dias na Casa de Saúde São José, no bairro do Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro, e não resistiu às complicações do quadro clínico.

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Internação e falecimento

Quadro de saúde agravado

Lúcia deu entrada no hospital em 14 de abril, após apresentar um episódio de falta de ar em casa. Desde então, permaneceu no Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde vinha sendo acompanhada de perto por médicos e familiares. A artista estava em tratamento contra o câncer desde 2022 e havia interrompido temporariamente as sessões de quimioterapia devido a internações anteriores por infecção urinária e pneumonia.

Segundo o jornal O Globo, Lúcia deveria retomar a quimioterapia no último dia 15, mas a piora de seu estado de saúde impediu a continuidade do tratamento. A Casa de Saúde São José confirmou oficialmente o falecimento na tarde desta quinta-feira e emitiu nota de pesar, destacando o respeito e solidariedade à família, amigos e fãs da atriz.

Uma carreira marcada por personagens inesquecíveis

lúcia alves
Foto – Acervo Globo

Lúcia Alves deixa como legado mais de 50 atuações em novelas, minisséries, especiais e programas da Rede Globo, emissora na qual construiu praticamente toda sua trajetória artística.

Destaque em “Irmãos Coragem” (1970)

Um dos primeiros grandes papéis de Lúcia na televisão foi como a Índia Potira, personagem que se tornou um marco na teledramaturgia brasileira. Em “Irmãos Coragem”, um dos maiores sucessos dos anos 1970, Potira foi par romântico de Jerônimo Coragem, vivido por Claudio Cavalcanti. A trama escrita por Janete Clair foi um fenômeno de audiência e consolidou o nome de Lúcia como atriz de destaque.

A ousada Veroca de “Plumas e Paetês” (1980)

Outro papel memorável de Lúcia Alves foi o da desinibida modelo Veroca, na novela “Plumas e Paetês”, de Cassiano Gabus Mendes. A personagem ficou marcada pela irreverência e pelo visual moderno para a época, sendo um símbolo de empoderamento feminino na televisão.

Atualmente, a novela está sendo reprisada no Canal Viva, o que reacendeu o carinho do público por Lúcia e sua versatilidade como atriz.

Primeira protagonista do horário das seis

“Helena” (1975): o papel que fez história

Lúcia foi a primeira protagonista de uma novela original exibida na faixa das 18h da Globo após o canal definir que o horário passaria a ser ocupado por adaptações de obras literárias brasileiras. A atriz interpretou a personagem-título da novela “Helena”, escrita por Gilberto Braga e inspirada no romance homônimo de Machado de Assis.

A produção, considerada um marco para a dramaturgia nacional, foi exibida em 1975 e consolidou o espaço das adaptações literárias na emissora. A atuação de Lúcia foi elogiada pela crítica e pelo público, contribuindo para abrir caminho para futuras produções baseadas em clássicos da literatura.

Homenagens e comoção nas redes sociais

Logo após o anúncio de sua morte, colegas de profissão, fãs e instituições culturais passaram a prestar homenagens à atriz. A Rede Globo emitiu nota destacando a importância de Lúcia Alves para a história das novelas brasileiras e sua contribuição artística ao longo de décadas.

Repercussão entre artistas

Vários atores e atrizes utilizaram as redes sociais para lamentar a perda. Palavras como “generosidade”, “talento” e “doçura” foram recorrentes nas mensagens publicadas por colegas de elenco e diretores que trabalharam com ela.

Fãs relembram momentos marcantes

Nas redes sociais, fãs de diferentes gerações compartilharam cenas clássicas da atriz e relatos emocionados sobre como seus personagens influenciaram suas vidas. Muitos destacaram a importância de sua representatividade nas novelas e o carinho com que sempre tratava o público.

Uma vida dedicada à arte

Lúcia Alves nasceu em 1948 e iniciou a carreira artística ainda jovem, no teatro, antes de migrar para a televisão. Ao longo de sua jornada, construiu uma carreira sólida, marcada por personagens fortes, carisma e profissionalismo.

Trajetória multifacetada

Além da televisão, Lúcia também participou de produções cinematográficas e peças teatrais, mostrando versatilidade nos palcos e nas telas. Ela transitava com naturalidade entre o drama e a comédia, sempre imprimindo autenticidade às suas interpretações.

Causa da morte: câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos e silenciosos. Os sintomas geralmente aparecem em estágio avançado, o que dificulta o diagnóstico precoce. Lúcia Alves iniciou o tratamento em 2022 e lutou contra a doença por quase três anos.

O que é o câncer de pâncreas?

Trata-se de um tumor que se forma nos tecidos do pâncreas e, muitas vezes, evolui rapidamente. Os principais sintomas incluem dor abdominal, perda de peso inexplicada, icterícia e náuseas. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do estágio da doença.

Legado e contribuição à cultura brasileira

A trajetória de Lúcia Alves é um exemplo de longevidade e dedicação à arte. Sua atuação em produções que marcaram época ajudou a moldar a identidade da teledramaturgia brasileira. Mais do que papéis na TV, Lúcia deixa uma contribuição simbólica ao representar mulheres fortes, diversas e carismáticas nas telas.

Um nome eternizado na história da televisão

A atriz estará para sempre associada a uma era de ouro das novelas brasileiras, tendo participado de algumas das produções mais importantes da história da Globo. Sua imagem continuará viva nas reprises, nos acervos da televisão e na memória afetiva de milhões de brasileiros.

Considerações finais

A morte de Lúcia Alves encerra um ciclo importante na teledramaturgia nacional, mas seu legado permanece vivo. Com uma carreira que atravessou gerações, a atriz encantou o público com personagens marcantes, interpretações memoráveis e uma postura ética admirável.

Em um momento em que tanto se discute a preservação da memória cultural, a obra de Lúcia Alves é um lembrete do valor da arte e da importância dos artistas na formação da identidade nacional. Que sua trajetória continue inspirando novos talentos da dramaturgia brasileira.