
Mamutes-lanosos podem ter sido extintos por um evento inesperado, aponta estudo
Durante muito tempo, a baixa diversidade genética foi considerada uma das principais causas para a extinção dos últimos mamutes-lanosos. A hipótese era de que uma população pequena e isolada teria acumulado mutações prejudiciais ao longo das gerações, até perder a capacidade de sobreviver.
Um novo estudo, porém, apresenta uma explicação diferente. Pesquisadores do Centro de Paleogenética, ligado ao Museu Sueco de História Natural e à Universidade de Estocolmo, analisaram o DNA de mamutes que viveram na Ilha de Wrangel, no Oceano Ártico.
Os resultados mostram que os animais realmente tinham baixa diversidade genética, mas conseguiram sobreviver nessas condições durante milhares de anos. Isso indica que a genética, sozinha, provavelmente não foi suficiente para provocar a extinção.
Leia mais:
Netflix fecha dois estúdios e reduz operação interna de games
Os últimos mamutes sobreviveram em uma ilha
Os mamutes-lanosos desapareceram da maior parte do planeta há cerca de 10 mil anos. Uma pequena população, entretanto, permaneceu na Ilha de Wrangel, ao norte da Sibéria.
Com a elevação do nível do mar após a última Era do Gelo, a região ficou isolada do continente. Os mamutes passaram a viver em um grupo pequeno e sem contato com outras populações.
A situação chegou a um ponto extremo. Segundo as análises genéticas, o grupo pode ter sido reduzido a apenas oito indivíduos reprodutores.
Mesmo assim, os animais conseguiram se recuperar. A população chegou a aproximadamente 200 ou 300 mamutes e permaneceu relativamente estável por cerca de 6 mil anos.
Esse dado é considerado fundamental para entender a extinção.
A genética não explica tudo
Os pesquisadores encontraram sinais de endogamia e redução da diversidade genética. Em uma população pequena, esses efeitos são esperados porque há menos indivíduos disponíveis para reprodução.
Apesar disso, a seleção natural continuou eliminando muitas mutações altamente prejudiciais.
Os dados, portanto, não indicam que os mamutes tenham passado por um processo inevitável de deterioração genética até desaparecerem. Pelo contrário, eles conseguiram sobreviver durante milhares de anos mesmo com diversidade genética limitada.
A genética pode ter aumentado a vulnerabilidade da população, mas provavelmente não foi a causa única da extinção.
Um evento inesperado pode ter causado o fim
Se a genética não explica completamente o desaparecimento, o que aconteceu com os últimos mamutes?
A resposta ainda é desconhecida. Os pesquisadores acreditam que algum evento externo e imprevisível pode ter atingido a população.
Entre as possibilidades estão uma mudança ambiental repentina ou uma doença capaz de afetar rapidamente um grupo pequeno e isolado.
A análise também identificou perda de diversidade em genes relacionados ao sistema imunológico. Isso não prova que uma doença tenha causado a extinção, mas indica uma possível vulnerabilidade diante de novos agentes infecciosos.
Uma alteração brusca no ambiente também poderia reduzir a disponibilidade de alimentos e colocar a população em risco.
Os humanos foram responsáveis?
A ação humana é frequentemente discutida nas pesquisas sobre a extinção dos mamutes. No caso da Ilha de Wrangel, entretanto, os registros não indicam que a caça tenha provocado o desaparecimento dos últimos animais.
Isso porque as evidências de presença humana na ilha são posteriores à extinção dos mamutes.
O cenário reforça a ideia de que o fim da população pode ter ocorrido por fatores ambientais ou biológicos, e não necessariamente pela ação humana.
O mistério dos últimos mamutes continua
O estudo publicado na revista Cell não conseguiu identificar exatamente o que matou os últimos mamutes-lanosos. A pesquisa, porém, muda uma parte importante da história.
Os animais passaram por um forte gargalo populacional, apresentaram baixa diversidade genética e, ainda assim, sobreviveram durante milhares de anos.
Por isso, os cientistas consideram possível que a população tenha permanecido relativamente estável até ser atingida por um acontecimento inesperado.
Uma doença, uma mudança ambiental brusca ou outro fenômeno ainda desconhecido pode ter sido o golpe final.
A descoberta mostra que a extinção dos mamutes provavelmente não foi resultado de um único fator. A combinação entre isolamento, genética, ambiente e acontecimentos imprevisíveis pode ter determinado o destino dos últimos animais.
Depois de resistirem por milhares de anos na Ilha de Wrangel, os mamutes-lanosos finalmente desapareceram. O que exatamente provocou seu fim, entretanto, continua sendo um dos grandes mistérios da pré-história.
