Mãe conta história de como seu amor pelos outros a levou a adotar 11 crianças
Você alguma vez já pensou em adotar uma criança? Para alguns, é algo talvez complicado de se pensar. Já para outros, é um dos atos mais lindos de amor. Karla Soares fica, definitivamente, com a segunda opção.
26 anos atrás, a mulher teve seu primeiro filho biológico, Luiz Fernando (Lufe), durante seu primeiro casamento. Infelizmente, o relacionamento do casal não deu certo, mas mesmo assim o pai continuou a agir como tal, se tornando, nas palavras dela, ”tio” de todos, sempre presente e prestativo.
Mas a mãe não queria ter só um filho a seu lado. Anos depois, ela decide fazer algo que iria mudar a vida não só de uma, mas de várias crianças, recorrendo à adoção.





Karla, que é professora, conta que sempre esteve envolvida com crianças e adolescentes. ”Cheguei a trazer uma aluna para casa, ela ficou comigo durante uns 9 meses, sua situação era bem precária; não conseguia aprender a ler. Em 3 meses eu a alfabetizei,” conta ela à redação do BOW.
A mulher é um verdadeiro poço de generosidade. ”Cresci com esse ‘dom’ de amar o próximo,” afirma. Tanto é que momentos depois, lá estava ela, pronta para conhecer a menina Vitória, de um ano e um mês, a primeira que iria adotar.
Juntos, ela e seu marido do segundo casamento foram atrás de todo o processo e entraram na fila. Não demorou para que logo depois, João Carlos, de um ano e 10 meses chegasse na vida deles.





Depois disso que as coisas começaram a mudar ainda mais. Eles decidiram se mudar para Santa Helena para começar um grande projeto de vida e construir uma família em uma casa que ambos construiriam juntos. Mas a ideia de adotar crianças não havia acabado aí. Pelo contrário, era só o começo. Rapidamente, o casal voltou para a fila. Desta vez sem escolhas de sexo ou idade.
”Não demorou muito, surgiram muitos e-mails, mas um ficou me ‘perseguindo’, sempre que eu abria meu email, lá estava ele, oferecendo um grupo de 4 irmãos, 11,9,8 e 3 anos. Relutei um pouco para não abrir, afinal, eram 4,” diz Karla. Mas ela pareceu não resistir e acabou respondendo o e-mail, dizendo que estavam ainda na fila.
No dia seguinte, a surpresa: a pessoa ligou, perguntando se eles aceitariam adotar todos os irmãos. Karla fez um sinal para o marido, indicando o número 4 com os dedos. Ele entendeu imediatamente o que aquilo significava, deixando lágrimas caírem de seus olhos.




Tudo o que a mãe conseguiu responder era que precisava de tempo para pensar. Mas assim que recebeu as fotos das crianças, tudo o que ouviu foi João gritando: ”Meus irmãos chegaram, meus irmãos chegaram, vivaaaaa!”
Obviamente que a resposta só poderia ser sim. ”Tivemos que “vencer” a todos os preconceitos, julgamentos, conselhos contrários, tudo e todos ficamos firmes. Fomos buscar nossos filhos, viagem longa, eles estavam nos esperando do outro lado de um grande porão fechado, não dava pra ver de dentro e nem de fora,” conta.
Karla se lembra do momento como se fosse hoje: os quatro (Ana, Lavínia, Henri e Enzo) lá, um do lado do outro, com sorrisos nos rostos, levemente assustados. Definitivamente um grande momento para cada um deles.


Mas se você achava que isso era o ”máximo” que esta mãe faria pelas crianças, está muito enganado. Meses depois, um novo telefonema e adivinha? Mais quatro irmãos: Kauã, Eduardo, Kauana e Maria Eduarda.
”E tanto no primeiro grupo como nesse segundo grupo, nos disseram que eu e meu esposo éramos os “únicos” no Brasil que aceitava grupos grandes meu coração bateu mais forte,” conta a mãe. Depois disso, você acha que ela iria recusar o pedido?
”Eles nos receberam muito bem, as crianças estavam meio assustadas, mais tímidas, mas o maior deu os braços pra mim no primeiro encontro, foi como se estive nascendo naquele momento ficamos abraçados por uns longos minutos. Todos choraram de emoção. Em um ano, passei de 3 filhos para 11,” relata.

Hoje, na casa, todos os horários, regras e normas são obedecidas e bem organizadas pela família. Para Karla, eles ”foram escolhidos a dedo por Deus eu sempre falo que somos um grande quebra cabeça se faltar uma peça, não é possível montar.”
Como qualquer família, a mãe reconhece os problemas e erros cometidos, mas sabe também que isso é algo que só tempo consegue resolver. Como eu afirmo, não posso apagar o passado, mas posso fazer do presente, um futuro diferente,” diz. ”E afirmo que o amor é um sentimento concreto que é possível tocar em cada um deles está um pedaço de mim e do meu esposo.”
E completa: ”Eu e meu esposo estamos dando o melhor de nós nessa missão, pois todo mundo pensa um dia em fazer um “investimento”, 0 $, nosso projeto, é em “vidas”. Acreditamos no poder do amor, acreditamos que Deus está colocando a sua mão poderosa sobre a nossa família. Ele quer que a gente mostre a todos que ainda existe esperança no mundo, que através do amor ao próximo, tudo é possível acontecer, é só acreditar nesse poder.”





As crianças agora estão com: o filho biológico, Luiz Fernando, 26, Vitória, 16, João Carlos, 9, Ana, 14, Lavínia, 12, Henri, 11, Enzo, 4, Kauã, 9, Eduardo, 8, Kauana, 5 e Maria Eduarda, 4.
Linda história, não?!
Fotos: Arquivo/Karla Soares
