Lázaro Ramos chora ao ouvir essa senhora falar sobre a importância da educação
A educação é capaz de transformar a vida de muitas pessoas ao redor do mundo. Isso é fato. Mas em alguns lugares, o acesso a essa educação, essencial para o crescimento de qualquer ser humano, é falho e escasso.
Na 15ª edição da Flip, o evento literário mais importante do país que conta com debates e reflexões importantes, uma senhora, Diva Guimarães, chamou a atenção dos participantes e internautas que acompanharam seu comentário após uma palestra que contava com a presença de Lázaro Ramos.
Muito emocionada, Diva contou sua história e como a educação foi capaz de transformar a sua realidade. Ela veio de uma infância simples e sob a influência de sua mãe, decidiu que nunca abandonaria os estudos:
“Eu fiquei muito emocionada que você chamou atenção de que estamos em uma plateia de maioria branca. Sou do sul do Paraná, você já pode imaginar… Só sobrevivi porque tive uma mãe que passou por toda humilhação para que os filhos pudessem estudar. Fui para um colégio interno aos cinco anos. Passavam as freiras, as missões pelas cidades recolhendo as crianças como se fosse assim… Em troca de você ir para essa escola estudar, na verdade você ia para trabalhar. Eu trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. Aparentemente a gente teve uma libertação que não existe até hoje.”
Ela deixou todos em lágrimas, principalmente Lázaro. A plateia não poderia ter concordado mais com suas palavras e aplaudiram muito. Ela continuou, contando que aos 6 anos já se viu obrigada a amadurecer, escutando histórias que freiras de seu colégio contavam sobre as pessoas de pele negra:
“As freiras contavam que Jesus – eu demorei muito para aceitar o tal de Jesus -, Deus, criou um rio e mandou todos tomar banho na água abençoada daquele maldito rio. Ai, as pessoas que são brancas é porque eram trabalhadoras e inteligentes. Nós, como negros, somos preguiçosos. E não é verdade. Esse país só vive hoje porque meus antepassadas deram toda a condição. Então, nós, como negros preguiçosos, chegamos no final dos banhos e no rio só tinha lama. E é por isso que só nossas palmas da mãos e pés são claras. Nós só conseguimos tocar isso.”
Diva conta que um dia,quando não queria ir à escola, principalmente pela dificuldade que era até mesmo para conseguir materiais escolares, sua mãe a olhou e perguntou se ela gostaria de ser como ela. Diva respondeu que não e que resolveu estudar para ter um futuro melhor.
Ela finaliza falando sobre o preconceito, até mesmo nas universidades e escolas. Lázaro se mostrou comovido e citou a importância da educação pública e dos professores no nosso país. O que você achou do relato de dona Diva? Foto: Reprodução/Vídeo/Agência O Globo
