
Brasileira Juliana Marins ferida em vulcão na Indonésia gritou por socorro por 14 horas, diz irmã
A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, que morreu após sofrer uma queda durante trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, chegou a pedir ajuda por cerca de 14 horas antes de falecer, segundo relatos da própria família. A revelação foi feita por Mariana Marins, irmã da jovem, com base em testemunhos de turistas que estavam na região no momento do acidente. A tragédia causou comoção nacional e levantou questionamentos sobre a estrutura de resgate no local.
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O acidente no Monte Rinjani
Juliana estava viajando sozinha e participava de um roteiro de ecoturismo no Monte Rinjani, uma das montanhas mais altas da Indonésia, conhecida por atrair trilheiros de todo o mundo. Durante o trajeto, ela se afastou do grupo e caiu de uma altura considerável em uma área de difícil acesso. O local apresentava condições severas de terreno, incluindo pedras soltas, neblina espessa e sinalização precária.
Testemunhos confirmam apelos por socorro
Segundo Mariana, turistas espanhóis que percorriam o mesmo caminho escutaram gritos vindos de um penhasco e conseguiram captar imagens com drone mostrando Juliana ainda consciente, pedindo ajuda. Essas imagens foram enviadas à família no Brasil e foram essenciais para a mobilização das buscas.
A irmã afirma que, com base nesses relatos, Juliana permaneceu viva por ao menos 14 horas, gritando por socorro até perder as forças. A estimativa do tempo de sobrevida ainda será oficialmente avaliada, mas o sentimento da família é de que a jovem lutou até o fim esperando um resgate que demorou demais.
Contradições entre laudos
Na Indonésia, o laudo médico indicava que Juliana teria morrido logo após a queda, por conta de politraumatismos. No entanto, ao chegar ao Brasil, o corpo foi submetido a uma nova perícia, no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. O novo exame não conseguiu determinar com precisão o momento da morte, mas especialistas locais apontaram evidências que indicam que Juliana pode ter sobrevivido por até 32 horas após a queda.
Essas informações reforçam as críticas feitas pela família à atuação das equipes de resgate indonésias. A irmã classificou como “mentira” a afirmação de que alimentos e água teriam sido entregues a Juliana durante o resgate.
A estrutura precária de resgate no local
A demora no socorro é atribuída à geografia desafiadora da trilha e à falta de estrutura para emergências. A presença de neblina e o terreno acidentado dificultaram a atuação de helicópteros. Além disso, os socorristas teriam enfrentado falta de equipamentos adequados, como cordas longas e lanternas potentes, que poderiam ter acelerado o acesso ao local onde Juliana estava.
Voluntários locais chegaram a participar da operação, mas o apoio logístico foi considerado insuficiente. A família também destacou que nenhuma equipe médica especializada foi enviada para fazer o atendimento de emergência assim que o paradeiro de Juliana foi identificado.
Repatriação e comoção nacional
Após a confirmação da morte, o corpo de Juliana foi repatriado para o Brasil com apoio do governo federal. A comoção provocada pelo caso sensibilizou a sociedade e autoridades. A cerimônia de despedida ocorreu no início de julho, no Rio de Janeiro, com a presença de amigos e familiares.
O caso levou o presidente Lula a alterar um decreto para facilitar o custeio de transporte internacional de corpos de brasileiros mortos no exterior, evitando que famílias precisem arcar com altos custos em momentos de dor.
Juliana era experiente em trilhas
Apesar da tragédia, Juliana não era uma aventureira despreparada. Segundo amigos próximos e familiares, ela já havia participado de outras trilhas e viagens desafiadoras. A jovem era descrita como apaixonada por natureza e por novas culturas, com histórico de viagens pela América do Sul e Ásia.
Sua escolha por trilhar o Monte Rinjani, embora arriscada, fazia parte de um roteiro planejado. No entanto, relatos indicam que ela optou por fazer o trajeto sem guia, o que pode ter contribuído para o acidente e para a demora na comunicação com autoridades locais.
Monte Rinjani: beleza e perigo
O Monte Rinjani é o segundo vulcão mais alto da Indonésia e um dos destinos mais procurados por turistas que gostam de aventura. No entanto, o local também é conhecido por registrar acidentes, justamente pela dificuldade de acesso em determinadas áreas e pela instabilidade climática.
Ao longo dos últimos anos, o número de acidentes na região aumentou, com casos de quedas, desaparecimentos e até mortes. Isso levou ativistas a cobrarem das autoridades locais uma revisão nas normas de segurança para trilheiros.
Família busca justiça e mudanças

A irmã de Juliana vem atuando fortemente nas redes sociais para manter o caso em evidência e pressionar por justiça. Mariana afirma que não se trata apenas de responsabilizar possíveis negligências, mas também de evitar que outras famílias passem pelo mesmo drama.
Entre os principais pedidos da família estão:
- Investigação oficial sobre falhas no resgate
- Adoção de protocolos internacionais de emergência em trilhas
- Maior fiscalização sobre empresas de turismo de aventura
- Criação de canal diplomático para assistência consular em casos de desaparecimento no exterior
Projetos de lei inspirados no caso
Parlamentares brasileiros já estudam propor medidas que possam garantir a segurança de cidadãos brasileiros durante viagens internacionais em áreas de risco. Um dos projetos prevê a criação de um fundo específico para atender emergências no exterior envolvendo brasileiros.
Outros defendem a criação de um selo de segurança internacional para trilhas e roteiros turísticos que cumpram requisitos mínimos de sinalização, comunicação e socorro.
Considerações finais
O caso de Juliana Marins vai além de uma tragédia pessoal. Ele expõe a vulnerabilidade de turistas em destinos exóticos, a lentidão em operações de resgate internacionais e a ausência de protocolos de cooperação entre países em situações de emergência.
Juliana gritou por socorro durante longas horas, aguardando uma ajuda que demorou a chegar. Sua história deve servir como alerta e catalisador para mudanças estruturais que preservem vidas. A dor da família é acompanhada de uma luta por justiça, por memória e por prevenção.
