
joia perdida no titanic é achada no fundo do mar; veja como ela está hoje
Um artefato esquecido nas profundezas do Atlântico Norte reacendeu o fascínio por uma das maiores tragédias da história marítima. Mais de um século após o naufrágio do RMS Titanic, ocorrido em abril de 1912, pesquisadores revelaram a descoberta de um colar vitoriano entre os destroços do lendário navio. A joia, de aparência delicada e simbologia profunda, pode ter pertencido a um dos passageiros que não sobreviveram à travessia.
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Um tesouro esquecido no fundo do mar

O colar foi identificado pela RMS Titanic, Inc., empresa que detém os direitos de exploração dos destroços do navio. Segundo a instituição, a peça estava presa dentro de um bloco de sedimentos e fragmentos metálicos, retirado do fundo do oceano em uma das expedições realizadas no ano 2000.
Durante mais de duas décadas, o artefato permaneceu armazenado, aparentemente sem valor especial. No entanto, uma análise recente com tecnologias avançadas de imagem e conservação revelou a existência das pequenas contas pretas que compõem o colar — algumas em formato de coração e outras em forma octogonal.
O achado surpreendeu os especialistas. “Trata-se de uma descoberta comovente e rara. Mesmo após tanto tempo, o objeto preserva características originais que nos conectam às pessoas que estavam a bordo”, afirmou Tomasina Ray, presidente da RMS Titanic, Inc., em comunicado oficial.
Relembrando o naufrágio do Titanic
O RMS Titanic partiu do porto de Southampton, na Inglaterra, em 10 de abril de 1912, com destino a Nova York. Considerado o navio mais luxuoso de sua época, ele transportava cerca de 2.200 passageiros e tripulantes.
Na noite de 14 de abril, o Titanic colidiu com um iceberg a cerca de 600 quilômetros da costa do Canadá. O impacto foi fatal: em menos de três horas, a embarcação afundou, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas.
A tragédia marcou o início de um dos capítulos mais comoventes da história moderna, e, desde então, diversas expedições foram realizadas para explorar o local do naufrágio, situado a quase 4 mil metros de profundidade.
Um achado inesperado nas profundezas
O colar foi descoberto dentro de uma concreção, uma formação endurecida composta por areia, ferrugem, fragmentos rochosos e vestígios metálicos do próprio navio.
Durante anos, os pesquisadores acreditaram que todos os itens dessa amostra já haviam sido catalogados. Contudo, novos métodos de escaneamento digital e restauração trouxeram à tona detalhes até então invisíveis.
Aos poucos, o objeto começou a emergir: uma sequência de contas escuras, finamente lapidadas, ligadas por fios corroídos pelo tempo, mas ainda reconhecíveis.
“É impressionante como, mesmo em condições extremas de pressão e escuridão, a matéria humana e artística consegue sobreviver”, comentou Charles Fitzpatrick, arqueólogo marítimo envolvido na análise do item.
Joia de luto e mistério sem dono
A equipe da RMS Titanic, Inc. iniciou uma investigação para identificar o dono original da joia, mas até o momento não há registros que confirmem sua origem. Nenhum documento de seguro ou listagem de indenização após o naufrágio menciona um colar com essas características.
Especialistas em arte vitoriana indicam que a peça é provavelmente uma joia de luto, confeccionada no século 19, durante o reinado da rainha Vitória. Feita de azeviche francês — um vidro negro que imitava a pedra azeviche verdadeira —, esse tipo de adorno era usado por viúvas e familiares enlutados em homenagem a entes falecidos.
O design e os materiais apontam para uma peça feminina de classe média ou alta, usada em ocasiões formais. O formato de coração, presente em algumas contas, reforça o caráter sentimental do objeto, sugerindo que tenha sido uma lembrança de amor ou perda.
Um elo com o passado e a memória das vítimas
Para os especialistas, o achado não tem apenas valor material, mas significado histórico e emocional. “Cada artefato retirado do Titanic é um fragmento de uma vida interrompida. Esse colar é um símbolo silencioso de histórias que nunca foram contadas”, declarou Ray.
A descoberta reacende discussões sobre a preservação de objetos encontrados no local do naufrágio. Desde 1987, a RMS Titanic, Inc. realiza expedições controladas e mantém uma coleção com mais de 5.500 artefatos recuperados, exibidos em museus e exposições ao redor do mundo.
Contudo, há um debate ético em torno da exploração do sítio, considerado por muitos um túmulo marítimo. Organizações de preservação defendem que novas escavações sejam feitas apenas quando houver justificativa científica e respeito à memória das vítimas.
Tecnologia moderna e novas descobertas
O colar foi identificado graças ao uso de técnicas de imagem em alta resolução e modelagem 3D, que permitem analisar os objetos sem danificá-los. Essas ferramentas revelaram detalhes minuciosos da joia e poderão auxiliar em futuras investigações sobre sua origem e história.
A equipe planeja, ainda, comparar o colar a registros fotográficos e pessoais de passageiros que embarcaram no Titanic, na esperança de encontrar uma ligação direta. Caso seja possível identificar o dono, a joia poderá se tornar uma das descobertas mais pessoais já feitas nos destroços do navio.
Um símbolo de lembrança e humanidade
Mais do que uma simples peça de adorno, o colar encontrado representa o elo entre o presente e o passado. Ele simboliza as vidas perdidas, os sonhos interrompidos e a emoção que ainda envolve o Titanic, mais de um século após sua trágica viagem.
“Cada objeto recuperado do Titanic nos lembra que a história não pertence apenas aos livros, mas às pessoas que a viveram”, conclui Ray.
