House of Guinness: os segredos e tragédias reais da família que inspirou a série da Netflix
A história por trás de “House of Guinness”
A nova série da Netflix, House of Guinness, reacendeu a curiosidade do público sobre a lendária família irlandesa que criou uma das marcas de cerveja mais conhecidas do planeta. Misturando fatos históricos e elementos de ficção, a produção mergulha nas intrigas, rivalidades e tragédias que moldaram o império Guinness ao longo dos séculos.
Embora muitas cenas sejam dramatizadas, a base da história é real: uma dinastia poderosa, construída a partir de uma fábrica de cerveja em Dublin e cercada de glórias, disputas e mistérios.
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A origem do império Guinness
A fundação em Dublin
Em 1759, Arthur Guinness arrendou por 9.000 anos uma pequena fábrica em St. James’s Gate, na capital irlandesa. O empreendimento, inicialmente modesto, rapidamente se transformou em um símbolo nacional. A cerveja tipo stout criada por Arthur tornou-se tão famosa que seu nome ultrapassou fronteiras.
Crescimento e legado
A partir do século XIX, a cervejaria cresceu sob a liderança de Benjamin Lee Guinness, neto do fundador. Ele modernizou as operações e transformou a Guinness em uma das empresas mais lucrativas do Reino Unido. A fortuna acumulada o levou a ocupar cargos políticos e a ser nomeado baronete — um título nobre concedido pela Coroa Britânica.
Benjamin também foi o primeiro de muitos Guinness a usar o poder econômico para influenciar a política e a sociedade, patrocinando obras públicas e projetos filantrópicos na Irlanda.
Os herdeiros e as disputas internas

Quatro filhos, um império
Após a morte de Benjamin Lee Guinness, em 1868, o controle da empresa passou a ser disputado entre seus quatro filhos: Arthur, Edward, Anne e Benjamin Jr. A série House of Guinness retrata exatamente esse momento turbulento — um jogo de poder familiar marcado por ambição, traições e diferenças ideológicas.
Arthur Guinness II e Edward Guinness
Na vida real, Arthur herdou parte das terras e da influência política do pai, enquanto Edward ficou mais próximo da gestão dos negócios. O contraste entre o conservadorismo de um e a visão empresarial moderna do outro é explorado na série, simbolizando o conflito entre tradição e progresso.
Anne Guinness: a mulher que desafiou padrões
Anne Lee Guinness, que se casou com o filantropo William Plunket, rompeu barreiras ao atuar ativamente em causas sociais. Criou instituições de caridade e hospitais para mulheres e crianças, tornando-se uma figura pública respeitada. Na ficção, sua trajetória ganha contornos dramáticos, com perdas pessoais e dilemas que refletem o papel limitado das mulheres na sociedade da época.
Tragédias familiares e o mito da “maldição Guinness”
Acidentes, doenças e escândalos
A série insinua que a família Guinness seria vítima de uma espécie de “maldição”, e esse tema tem base em fatos que realmente chamaram atenção da imprensa ao longo do tempo. Diversos membros da linhagem morreram jovens, em acidentes ou por problemas de saúde, o que alimentou rumores de que o poder e a fortuna da família vinham acompanhados de tragédias.
Entre os episódios mais marcantes estão a morte de Henry Guinness em um naufrágio e a overdose de Tara Browne, bisneto de Edward, que inspirou a música “A Day in the Life”, dos Beatles.
O peso da fama e da fortuna
A riqueza descomunal e o prestígio social dos Guinness também geraram escândalos. Alguns descendentes se envolveram em controvérsias políticas, enquanto outros foram alvos de críticas por comportamentos extravagantes. House of Guinness explora esse contraste entre o brilho público e as sombras privadas da família.
O que é verdade e o que é ficção na série
Elementos baseados em fatos
Grande parte da narrativa é inspirada em registros históricos reais, especialmente os conflitos de sucessão após a morte de Benjamin Lee Guinness. A ambientação em Dublin e os detalhes sobre a expansão da cervejaria também se mantêm fiéis à realidade.
A série acerta ao retratar o contexto político da Irlanda do século XIX, quando a luta pela independência começava a ganhar força e dividia as elites locais.
Liberdade criativa e personagens fictícios
Por outro lado, muitos personagens e eventos foram criados para intensificar o drama. Sean Rafferty, por exemplo, um dos antagonistas da trama, é invenção dos roteiristas. Algumas cenas de conspiração e escândalos amorosos também não possuem registros históricos — servem apenas para aumentar o apelo narrativo.
O criador da série, Steven Knight (o mesmo de Peaky Blinders), explicou que seu objetivo era “dramatizar a verdade emocional” da família Guinness, e não apenas seguir a biografia oficial.
A estética e as críticas à produção
Visual e direção elogiados
A produção recebeu elogios por sua fotografia sombria, trilha sonora intensa e figurinos impecáveis. A Dublin do século XIX é recriada com realismo impressionante, e o contraste entre as fábricas enfumaçadas e as mansões luxuosas reforça a desigualdade social da época.
Polêmicas na Irlanda
Apesar do sucesso internacional, House of Guinness enfrentou críticas na Irlanda. Parte da imprensa local acusou a Netflix de reforçar estereótipos e exagerar nas caricaturas de irlandeses rebeldes. Historiadores também apontaram anacronismos e cenas inventadas que distorcem o contexto histórico.
Ainda assim, a série foi defendida por muitos como uma “obra de ficção histórica”, que não tem a obrigação de reproduzir os fatos com precisão absoluta.
O legado Guinness nos dias de hoje
Uma marca que sobreviveu aos séculos
Mais de 260 anos depois, a Guinness continua sendo um dos maiores símbolos da Irlanda. A cerveja é vendida em mais de 150 países e representa um orgulho nacional.
A família, por sua vez, ainda tem descendentes envolvidos em filantropia e negócios, embora a gestão da cervejaria tenha sido transferida à multinacional Diageo, que mantém viva a tradição da marca.
A influência cultural e simbólica
A história dos Guinness transcende a bebida. Ela representa a ascensão da Irlanda industrial, a complexa relação entre fé, dinheiro e política e o impacto das dinastias familiares na formação da identidade europeia moderna.
House of Guinness não apenas revive essa narrativa, mas convida o público a refletir sobre o preço do poder e os limites da herança.
Considerações finais
A série House of Guinness equilibra história e drama para contar uma das sagas familiares mais intensas da Europa. Inspirada em eventos reais, mas enriquecida por ficção, ela retrata uma família que construiu um império à custa de ambição, fé e sofrimento.
Mais do que um retrato de época, a obra questiona a ideia de sucesso e legado — mostrando que, por trás de cada nome lendário, existe uma sucessão de conflitos humanos, segredos e tragédias.
