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Estudo revela que exercícios podem proteger o coração durante o tratamento do câncer de mama

Uma nova pesquisa conduzida por especialistas em saúde cardiovascular e oncologia traz uma importante descoberta: a prática regular de exercícios físicos pode reduzir significativamente os riscos cardíacos em mulheres que enfrentam o tratamento do câncer de mama. O estudo sugere que atividades supervisionadas e adaptadas à realidade das pacientes funcionam como uma barreira natural contra complicações decorrentes da quimioterapia e da radioterapia.

A descoberta tem relevância especial num cenário em que os tratamentos contra o câncer de mama, embora cada vez mais eficazes, também trazem efeitos adversos sobre o coração. Com o aumento da sobrevida e o avanço das terapias, cresce a preocupação com a qualidade de vida a longo prazo e com a necessidade de cuidar não apenas do tumor, mas do organismo como um todo.

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O impacto dos tratamentos do câncer sobre o coração

Por que há risco cardiovascular durante a quimioterapia e radioterapia

Medicamentos quimioterápicos potentes, como as antraciclinas, e terapias-alvo amplamente utilizadas podem causar inflamação e enfraquecimento do músculo cardíaco, um quadro conhecido como cardiotoxicidade. A radioterapia na região do tórax também pode afetar os vasos sanguíneos e provocar danos cumulativos que aumentam o risco de insuficiência cardíaca. Essas complicações podem surgir mesmo anos depois da conclusão do tratamento.

A importância da prevenção precoce

A pesquisa destaca a importância de adotar medidas preventivas desde o início do tratamento. Avaliações cardiológicas, acompanhamento físico e orientação nutricional são ferramentas essenciais para detectar sinais precoces de sobrecarga no coração. O exercício físico, nesse contexto, surge como uma intervenção simples, acessível e cientificamente comprovada para preservar a função cardíaca e melhorar a recuperação.

Como o exercício atua na proteção do coração

Benefícios fisiológicos comprovados

Durante o exercício, o coração se fortalece, a circulação melhora e o corpo passa a utilizar o oxigênio de maneira mais eficiente. Para as pacientes com câncer de mama, esses efeitos reduzem a pressão sobre o sistema cardiovascular e atenuam os impactos das terapias oncológicas. Além disso, o exercício físico regular melhora a resposta inflamatória, reduz o colesterol, estabiliza a glicose e ajuda a controlar o peso corporal — fatores que diminuem as chances de desenvolver doenças cardíacas.

Efeitos emocionais e psicológicos positivos

O movimento também afeta diretamente a saúde mental. Pacientes que praticam exercícios relatam melhora no humor, menos episódios de ansiedade e um sono mais reparador. Essa estabilidade emocional é importante para que a adesão ao tratamento seja mantida e para que o corpo responda melhor às terapias.

Tipos de exercícios indicados para pacientes com câncer de mama

Atividades aeróbicas

Exercícios como caminhada, bicicleta ergométrica e natação ajudam a aumentar a resistência e fortalecer o sistema cardiovascular. Devem ser realizados em intensidade moderada, preferencialmente sob supervisão médica ou fisioterapêutica.

Treinamento de força e resistência

Exercícios com elásticos, pesos leves ou o próprio peso corporal auxiliam na manutenção da massa muscular e melhoram a densidade óssea, reduzindo o risco de osteopenia e fraqueza provocadas por medicamentos hormonais.

Alongamentos e mobilidade

O alongamento regular é essencial, especialmente para mulheres que passaram por cirurgia de mama. Ele ajuda a restaurar a mobilidade dos ombros e reduz dores musculares, promovendo maior conforto nas atividades diárias.

Frequência e intensidade

Os pesquisadores recomendam a prática de três a cinco sessões semanais, com duração de 30 a 60 minutos cada. O aumento da intensidade deve ser gradual, respeitando o nível de energia e os efeitos colaterais de cada fase do tratamento.

O papel da equipe médica e do acompanhamento especializado

Integração entre oncologia e cardiologia

A pesquisa aponta que os melhores resultados são obtidos quando há acompanhamento multidisciplinar. Cardiologistas, oncologistas, fisiologistas e educadores físicos devem trabalhar juntos para adaptar o plano de exercícios conforme o estágio do tratamento e as condições de saúde da paciente. Essa integração permite monitorar batimentos cardíacos, pressão arterial e sinais de fadiga, garantindo segurança e eficiência.

Supervisão profissional e personalização

Cada paciente responde de forma diferente ao exercício. Por isso, é fundamental que o programa seja personalizado. Sessões supervisionadas ajudam a corrigir posturas, evitar sobrecargas e adaptar os treinos de acordo com a resposta clínica.

Benefícios além da cardioproteção

Melhora da qualidade de vida

Mulheres que mantêm uma rotina de exercícios durante o tratamento relatam menos fadiga, mais disposição e uma sensação maior de controle sobre o próprio corpo. Isso reflete diretamente na autoestima e na confiança em relação à recuperação.

Redução da recidiva e aumento da sobrevida

Diversos estudos internacionais reforçam que a atividade física regular pode diminuir o risco de recidiva do câncer e aumentar a taxa de sobrevida. Essa associação é explicada pela melhora da imunidade e pela regulação hormonal proporcionadas pelo exercício.

Prevenção de outras doenças

Além de proteger o coração, os exercícios ajudam a evitar hipertensão, diabetes e obesidade — condições que, quando presentes, aumentam o risco de complicações durante o tratamento oncológico.

Como praticar de forma segura

Antes de iniciar qualquer programa, é essencial fazer uma avaliação médica completa para identificar possíveis limitações. Pacientes devem começar devagar, com 10 a 15 minutos de atividade leve por dia, e aumentar o tempo e a intensidade conforme a adaptação do corpo. A hidratação e o descanso adequado também são pilares fundamentais do processo.

Evitar o sedentarismo não significa realizar exercícios extenuantes, e sim adotar uma rotina constante e prazerosa. Pequenos hábitos, como caminhar diariamente, usar escadas em vez de elevador ou praticar alongamentos ao acordar, já trazem resultados perceptíveis.

Implicações para o futuro do tratamento oncológico

A nova visão da medicina integrativa

Os resultados da pesquisa reforçam a ideia de que o tratamento do câncer deve ser multidimensional. Cuidar da mente e do corpo é tão importante quanto combater o tumor. O exercício físico representa uma ferramenta segura, de baixo custo e altamente eficaz para complementar as terapias convencionais.

Impacto nos protocolos de saúde pública

Com a crescente evidência científica, especialistas defendem que a prática de exercícios supervisionados seja incorporada aos protocolos de reabilitação oncológica do SUS e de instituições privadas. Essa integração pode reduzir custos hospitalares, diminuir internações e melhorar os índices de recuperação.

Inclusão social e acesso à prática segura

Garantir o acesso a espaços adequados e profissionais especializados é fundamental. Programas públicos de reabilitação e iniciativas comunitárias podem ampliar o alcance dessa prática para mulheres em diferentes regiões do país.

Considerações finais

A nova pesquisa confirma que o exercício físico é um aliado fundamental no tratamento do câncer de mama. Além de fortalecer o coração e reduzir riscos cardiovasculares, a atividade física promove bem-estar, melhora a resposta terapêutica e amplia a qualidade de vida das pacientes.

Incluir o movimento na rotina do tratamento é uma forma de cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo. Mais do que um complemento, o exercício se torna parte essencial da jornada de cura, ajudando mulheres a atravessar o processo com mais energia, esperança e vitalidade.