Notícias

Esse médico não imaginava o que uma senhora diria a ele em seus últimos dias de vida

Quando se é médico, deve estar sempre preparado, pois pode ver acontecer de tudo. Além disso, são muitas partidas, muitas chegadas, muita alegria, mas também muita dor.

E no hospital da cidade de Sardenha, na Itália, o urologista Marco Deplano, mesmo bastante jovem, passou por um momento extremamente difícil e que considera ter marcado a sua profissão.

Ao ter de fazer uma consulta em outro departamento, conheceu uma paciente com câncer terminal e insuficiência renal, devido a compressão da uretra. Era uma senhora que estava entre seus 70 e 80 anos, com o cabelo cor de cenoura e unhas com um esmalte rosa impecável.

Quando a examinou, fez um ultrassom e disse a ela que os rins estavam tendo dificuldade em eliminar urina naturalmente, então iria inserir um tubo que libera o obstáculo. Nesse caso iria urinar em dois tubos conectados a duas bolsas, sendo que já possui uma outra bolsa nas costas sendo resultado de uma colostomia – usada para projetar um ânus artificial que elimina as fezes.

A senhora, então, parou por um longo tempo, quando olhou para Marco sorrindo e disse:

– Sabe, eu já estou morta. Você entende?

– Desculpa, não… eu não entendo.

– Eu já morri há 15 anos. Quando o meu filho de 33 anos teve um infarto e morreu. Eu também morri naquele dia.

– Eu sinto muito.

– Eu morri com ele. E depois eu morri de novo, há 10 anos, quando me diagnosticaram com esta doença. Mas agora eu não preciso mais fingir. Meus filhos estão criados, netos também. Eu quero me reunir a ele. Qual é o sentido de viver alguns dias extras com essas bolsas, com sofrimento e tanto trabalho para mim e para os meus entes queridos? Eu tenho a minha dignidade. Você vai ficar ofendido se eu não quiser fazer nada? Eu estou cansada. Eu estou pronta para me confiar nas mãos de Deus. Me diz a verdade, eu vou sofrer?

– Não, senhora. Você pode fazer o que quiser. Mas colocando duas bolsas…

– Marco, eu disse não. É a minha vida. Eu decidi. Se você quiser fazer algo, vamos parar a transfusão. Então eu posso ir para casa e comer sorvete com o meu neto.

Marco disse que todas aquelas palavras o fizeram esquecer de seus problemas, raivas e tristezas. Sentiu como se estivesse tirando pétalas de uma flor e, de repente, anos de estudos, milhares de páginas lidas, regras e fatos da medicina, foram por água abaixo.

Ele se virou para escrever o relatório para que a enfermeira ao lado na visse suas lágrimas. Estava completamente desarmado diante da franqueza e ciência da morte daquela idosa. Foi quando ela disse:

– Marco, isso te emociona?

– Sim, um pouco, senhora. Me desculpe.

– Não, isso é bom. Obrigada. Faz eu me sentir importante. Escuta, por favor me faça outro favor. Se meus filhos vierem e gritarem contigo, me ligue. Eu direi a eles para pararem. Escreva que eu estou bem. Está bem?

– Sim, senhora.

– Marco, posso te pedir mais uma coisa?

– Claro!

– Você é especial. Eu sei que chegará longe. Me dê um beijo, como faria se fosse meu filho – você se importa?

– Claro que não.

– Eu vou rezar por você. E por meu filho. Eu espero te ver de novo.

Para o médico, naquele momento, aquela senhora era a pessoa mais especial do mundo, toda radiante, confiante, mãe e avó. Ela lhe deu a lição mais importante de sua vida com aquelas palavras simples.

A morte é a coisa mais certa da vida, sendo que é a nossa última parte aqui. Seguindo as palavras de Marco, não há necessidade para medo, ansiedade ou egoísmo. Coisas que anos de estudo não te ensinam. Nosso interior é o que mais conta e somos muito pequenos em um universo tão vasto.

“Às vezes, uma palavra bondosa é uma cura mais poderosa do que a droga mais moderna. O que quer que você pense, aproveite a jornada”, disse o urologista.

Foi definitivamente um momento complicado na carreira de Marco, mas que, com certeza, o mudou por completo. São momentos assim da vida que nos torna pessoas melhores.

Fotos: Reprodução Facebook, Não Acredito