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Diabetes em animais de estimação: como alimentação inadequada e excesso de peso afetam cães e gatos

Diabetes em pets: uma realidade crescente

A diabetes não é uma condição exclusiva dos seres humanos. Cães e gatos também podem desenvolver essa doença metabólica, especialmente quando submetidos a dietas desequilibradas e à falta de atividade física. Nos últimos anos, os casos de animais com diabetes têm aumentado, refletindo o estilo de vida moderno adotado por muitos tutores.

Assim como ocorre em humanos, a diabetes em pets afeta o metabolismo da glicose, o principal açúcar usado pelo organismo como fonte de energia. Quando há deficiência na produção ou na ação da insulina, o açúcar se acumula no sangue, provocando uma série de desequilíbrios.

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Como a diabetes se manifesta em cães e gatos

Diferenças entre cães e gatos diabéticos

Em cães, a forma mais comum é semelhante ao diabetes tipo 1, caracterizada por uma falha na produção de insulina. Já os gatos costumam desenvolver uma condição parecida com o diabetes tipo 2, em que há resistência à insulina, geralmente associada ao excesso de peso.

Sinais clínicos que devem ser observados

Identificar os sintomas precocemente é fundamental para garantir o bem-estar do animal. Entre os sinais mais frequentes estão:

  • Aumento da sede (polidipsia)
  • Maior volume de urina (poliúria)
  • Perda de peso apesar do apetite elevado (polifagia)
  • Letargia e cansaço fácil
  • Pelagem opaca e sem brilho
  • Em gatos, dificuldade para andar com as patas traseiras, assumindo postura plantígrada

Esses sintomas indicam que o corpo do animal não está utilizando a glicose de maneira adequada. Caso percebidos, o tutor deve procurar atendimento veterinário imediatamente.

Alimentação desequilibrada e sedentarismo: os principais vilões

diabetes
Imagem – Bestofweb/Freepik

O impacto do excesso de peso

A obesidade é um dos fatores de risco mais significativos para a diabetes em animais. Estima-se que mais de 50% dos cães e gatos atendidos em clínicas veterinárias estejam acima do peso ideal. Esse acúmulo de gordura compromete a função do pâncreas, o órgão responsável por produzir insulina, e pode desencadear a doença.

Avaliação do peso ideal

Veterinários utilizam a Escala de Condição Corporal (ECC), que varia de 1 a 9, para avaliar se o animal está com peso adequado. Os níveis entre 4 e 5 são considerados normais. Acima disso, há risco aumentado para diversas doenças, incluindo a diabetes.

Alimentação industrializada e oferta descontrolada de petiscos

Muitos tutores oferecem rações com excesso de carboidratos ou distribuem petiscos e alimentos humanos como forma de agradar seus animais. Esse comportamento, embora bem-intencionado, pode sobrecarregar o sistema metabólico dos pets e contribuir para o ganho de peso.

Castração e metabolismo

A castração é um procedimento importante para o controle populacional, mas ela reduz o metabolismo basal dos animais. Se não houver ajuste na dieta e na rotina de exercícios, o pet pode engordar com mais facilidade, aumentando o risco de desenvolver diabetes.

Diagnóstico e acompanhamento veterinário

Como é feito o diagnóstico da diabetes em pets

Ao suspeitar de diabetes, o veterinário solicitará exames laboratoriais, como glicemia de jejum, análise de urina e testes complementares. A presença de glicose elevada no sangue e na urina é um forte indicativo da doença.

Outros exames importantes

Além dos exames básicos, pode ser necessário avaliar os níveis de frutosamina (que indica a média glicêmica nas últimas semanas) e verificar a presença de cetonas, principalmente em casos avançados ou quando há sintomas como vômitos e apatia.

Importância do diagnóstico precoce

Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de controle e prevenção de complicações graves, como catarata, neuropatias e infecções recorrentes.

Tratamento: insulina, dieta e exercícios

Controle glicêmico com insulina

A maioria dos cães com diabetes precisa de insulina aplicada duas vezes ao dia, sempre no mesmo horário. Em gatos, o tratamento pode variar. Alguns felinos respondem bem à dieta específica e podem até entrar em remissão, suspendendo a insulina sob supervisão.

Monitoramento em casa

Existem aparelhos portáteis, semelhantes aos utilizados por humanos, que permitem ao tutor verificar os níveis de glicose no sangue do animal em casa. Essa prática ajuda a ajustar a dose de insulina conforme a necessidade.

Adaptação da alimentação

Uma dieta balanceada e específica é essencial no controle da diabetes. Os alimentos devem conter baixo teor de carboidratos e alta concentração de fibras e proteínas. A alimentação precisa seguir horários fixos, para que os níveis de glicose fiquem estáveis.

Rações terapêuticas

Diversas marcas oferecem rações desenvolvidas especialmente para animais diabéticos. Elas ajudam a controlar os picos glicêmicos e favorecem a manutenção do peso corporal.

Atividades físicas regulares

A prática de exercícios contribui para a melhora da sensibilidade à insulina e ajuda no controle do peso. Caminhadas diárias com cães ou estímulos com brinquedos interativos para gatos são estratégias simples e eficazes.

Prevenção: a melhor estratégia

Alimentação saudável desde cedo

A prevenção da diabetes começa na escolha correta dos alimentos. Evitar o excesso de petiscos, restringir o acesso a alimentos humanos e oferecer ração de qualidade são atitudes que fazem diferença na saúde a longo prazo.

Monitoramento do peso e visitas ao veterinário

Acompanhamentos regulares com o veterinário permitem ajustes na dieta, verificação da condição corporal e identificação precoce de alterações metabólicas.

Educação do tutor

Conscientizar os tutores sobre os riscos da obesidade e da má alimentação é essencial. A saúde dos pets depende diretamente dos hábitos e decisões dos responsáveis.

Complicações da diabetes não tratada

Problemas oculares

Nos cães, a catarata é uma complicação frequente da diabetes e pode levar à cegueira. O controle rigoroso da glicemia ajuda a retardar esse processo.

Dano renal e hepático

A glicose elevada por períodos prolongados pode causar lesões nos rins e no fígado, comprometendo ainda mais a saúde do animal.

Cetoacidose diabética

É uma emergência médica grave que ocorre quando o organismo não consegue utilizar a glicose como fonte de energia e começa a quebrar gordura de forma descontrolada. O quadro exige internação imediata.

Esperança de reversão em gatos

Diferente dos cães, muitos gatos diagnosticados com diabetes tipo 2 conseguem reverter o quadro com mudanças na alimentação e controle do peso. A remissão pode levar semanas ou meses, mas exige disciplina e acompanhamento constante.

Considerações finais

A diabetes em cães e gatos é uma condição séria, mas que pode ser evitada com medidas simples, como alimentação balanceada, manutenção do peso ideal e prática de atividades físicas. Quando diagnosticada precocemente, a doença pode ser controlada com sucesso, proporcionando aos pets uma vida longa e saudável.

O papel do tutor é fundamental em todas as etapas: prevenção, identificação dos sintomas, tratamento e manutenção da qualidade de vida. Cuidar bem da alimentação e do peso do animal é um ato de amor que faz toda a diferença.