Detentos trabalham para reformar hospital e futuramente receber crianças
Ser preso por um crime que cometeu não é bem o fim do mundo. Existem diversas formas de reassossialização para quem fez algo de errado e tem a vontade de se redimi, onde é possível fazer mais pela sociedade e, em um futuro, retomar sua vida.
Onze homens que estão em regime semiaberto trabalham na reforma do futuro pronto-socorro Hospital Infantil de Vitória. Até o final de junho o local será transferido de Santa Lúcia para dentro do Hospital da Polícia Militar (HPM).
Os rapazes pintam desenhos, paisagens e várias outras figuras. “Dá para falar muita coisa através do desenho. É uma satisfação muito grande desenhar para crianças, transmitir alegria para elas”, conta Fábio Gomes Pinheiro, um dos presidiários.

Ele passa o dia trabalhando e a noite cumpre sua pena na prisão. Preso por homicídio, tenta se redimir perante a sociedade ajudando a humanizar um local que, em breve, poderá cuidar de muitas crianças necessitadas.
Além da reforma do lugar, eles fazem pinturas de desenhos, figuras e paisagens. Tudo para humanizar um ambiente que, por si só, já representa momentos de angústia e, ao mesmo tempo, esperança para os pequenos e seus pais.
Fábio passa os dias de trabalho e as noites na prisão para cumprir a pena e aliviar a culpa pela condenação por um homicídio. “Me arrependo muito de ter feito isso. Perdi a juventude da minha filha. As mães das coleguinhas dela falam para não brincar com ela. Mas graças a Deus ela não me abandona”, diz Fábio.

De acordo com o secretário de Estado da Justiça, Walace Tarcísio Pontes, todos que trabalham recebem um salário mínimo e, para cada três dias trabalhados, terão um dia de prisão descontado.
Mesmo com tal iniciativa, os números ainda não muito baixos. Dos 19.650 detentos, apenas 2.590 trabalham, dentro ou fora das unidades. A ideia é que, se houvessem mais empresas interessadas em parcerias, esse número aumentasse.
No momento, o trabalho deles é mais que necessário, não só para nós, como para eles próprios.
Fotos: Reprodução / Edson Chagas
