Um novo modelo para repovoar cidades com população em declínio
Em diversas regiões da Europa, vilarejos e pequenas cidades vêm enfrentando um desafio crescente: a queda populacional. Com o envelhecimento dos habitantes e a saída constante de jovens em busca de oportunidades nos grandes centros urbanos, muitas dessas localidades estão adotando medidas criativas para reverter esse cenário.
Entre essas estratégias, uma das que mais tem chamado a atenção do público é o pagamento de incentivos financeiros para pessoas que desejam se mudar e viver nesses locais. Neste artigo, você vai conhecer algumas dessas cidades que estão literalmente pagando para atrair novos moradores — e o que é necessário para participar desses programas.
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Por que essas cidades oferecem pagamento para quem deseja morar nelas?
Problemas causados pelo despovoamento
Com o êxodo rural e a migração de jovens para cidades maiores, muitos municípios europeus vêm registrando redução constante no número de habitantes. Esse fenômeno causa impactos diretos na economia local, na oferta de serviços e até na conservação do patrimônio histórico dessas localidades.
Sem população suficiente, escolas fecham, comércios encerram suas atividades e serviços básicos se tornam inviáveis. Para contornar essa situação, governos regionais e locais decidiram transformar o problema em oportunidade.
Solução criativa: atrair moradores com ajuda financeira
A ideia de pagar para alguém morar em determinado lugar pode parecer improvável à primeira vista, mas vem se mostrando uma solução eficaz para várias cidades. Ao oferecer incentivos — que variam de auxílios em dinheiro à doação de terrenos e moradias —, essas regiões conseguem atrair novas famílias, revitalizar a economia e manter viva a cultura local.
Cidades europeias que pagam para você morar

1. Albinen, Suíça
Localizada nos Alpes suíços, a pequena Albinen busca renovar sua população oferecendo até 60 mil francos suíços (aproximadamente R$ 360 mil) para famílias que estejam dispostas a se mudar para lá.
Requisitos para participar:
- Ter menos de 45 anos;
- Adquirir ou construir uma casa com valor mínimo estipulado pela prefeitura;
- Comprometer-se a viver no local por pelo menos 10 anos.
A medida foi aprovada por referendo local e visa atrair jovens e revitalizar a economia da vila, que perdeu muitos moradores nos últimos anos.
2. Sardenha, Itália
A região italiana da Sardenha lançou um programa de incentivo para repovoar municípios com menos de 3 mil habitantes. O governo local oferece até 15 mil euros para quem comprar ou reformar uma casa nesses locais.
Condições exigidas:
- O imóvel deve estar localizado em uma cidade elegível;
- O beneficiário precisa viver na propriedade como moradia principal;
- O valor recebido deve ser utilizado exclusivamente para a aquisição ou reforma do imóvel.
Esse projeto tem como objetivo frear o despovoamento das áreas mais rurais da ilha, que enfrentam perda contínua de moradores.
3. Ponga, Espanha
No norte da Espanha, a charmosa cidade de Ponga, nas Astúrias, oferece incentivos financeiros para casais e famílias que optem por se mudar para lá.
O que é oferecido:
- 3.000 euros para famílias com filhos;
- 2.000 euros para casais sem filhos ou pessoas solteiras;
- Bônus adicional de 3.500 euros por criança nascida na cidade.
A condição principal é permanecer residindo no local por, no mínimo, cinco anos.
4. Anticítera (Antikythera), Grécia
Anticítera é uma ilha grega com menos de 50 habitantes, localizada entre Creta e o Peloponeso. Para incentivar a habitação e evitar que a ilha desapareça demograficamente, o governo local, em parceria com a Igreja Ortodoxa, implementou um programa de incentivo para famílias.
Benefícios oferecidos:
- Pagamento mensal de 500 euros por três anos;
- Moradia gratuita e terreno;
- Acesso prioritário a oportunidades locais de trabalho.
O programa é direcionado especialmente a famílias com filhos, que possam contribuir para revitalizar a vida comunitária da ilha.
5. Legrad, Croácia
Situada na fronteira com a Hungria, a cidade croata de Legrad criou um programa de venda de casas por preços simbólicos para atrair moradores. Algumas residências foram disponibilizadas por apenas 1 kuna croata (menos de R$ 1).
O que é necessário:
- Compromisso com a reforma da propriedade comprada;
- Residência permanente no imóvel após as obras;
- Preferência para casais jovens e famílias com filhos.
A cidade quer transformar imóveis abandonados em lares ativos e gerar nova dinâmica econômica no município.
O que considerar antes de aceitar uma oferta como essas?
1. Requisitos obrigatórios
Apesar dos valores atrativos, esses programas sempre envolvem compromissos. A maioria exige residência fixa no local por um determinado número de anos, além de investimento próprio na compra ou reforma de imóveis. É fundamental ler todas as regras e verificar se o seu perfil se encaixa.
2. Estrutura e oportunidades no local
Antes de mudar de país e cidade, é importante pesquisar se a região oferece condições básicas como serviços de saúde, escolas, transporte, internet e oportunidades de trabalho. Algumas localidades são muito isoladas e podem não atender às expectativas de quem busca uma vida urbana.
3. Custo de vida
O valor pago pelos governos pode parecer generoso à primeira vista, mas é preciso considerar o custo de vida no país e na região. Países como Suíça e Itália, por exemplo, têm preços elevados para moradia, alimentação e transporte. O incentivo inicial pode ser apenas uma parte dos recursos necessários para viver bem nesses lugares.
Vantagens de participar desses programas
- Vida mais tranquila: a maioria das cidades oferece qualidade de vida, tranquilidade e segurança.
- Contato com a natureza: muitas localidades estão em áreas montanhosas, rurais ou litorâneas.
- Custo reduzido para começar uma nova vida: ajuda financeira para comprar imóvel ou reformar pode ser um grande alívio.
- Imersão cultural: viver em uma pequena cidade europeia permite conhecer tradições locais, aprender novos idiomas e experimentar uma rotina diferente.
Considerações finais
Morar na Europa é um sonho para muitas pessoas, e os programas de incentivo oferecidos por cidades com baixa densidade populacional podem ser uma porta de entrada para essa experiência. No entanto, além da proposta financeira, é fundamental avaliar se o estilo de vida, os compromissos exigidos e a infraestrutura da cidade estão alinhados com suas expectativas e necessidades.
Quem estiver disposto a se adaptar e contribuir para a vida local poderá encontrar nesses pequenos municípios não apenas uma nova casa, mas também uma nova história.













