Estudo revela que brasileiros evitam redes sociais, consumo e eventos por exaustão mental
Um levantamento recente feito com pessoas em diferentes regiões do país apontou uma tendência crescente entre os brasileiros: o afastamento voluntário de redes sociais, o abandono de hábitos de consumo impulsivo e a recusa em participar de encontros sociais. O motivo por trás dessas mudanças é um só — o cansaço mental.
Leia Mais:
Tendências de agosto de 2025: moda, cultura e comportamento que vão marcar o mês
Comportamento coletivo aponta busca por equilíbrio
Cresce a percepção de sobrecarga psicológica no Brasil
De acordo com os dados da pesquisa realizada pela consultoria BALT, os brasileiros têm demonstrado sinais claros de que estão chegando ao limite. A exposição constante a estímulos digitais, notificações e interações virtuais está provocando o que especialistas chamam de fadiga cognitiva coletiva — um estado de saturação mental causado por excesso de informação e interação.
Entre os participantes do estudo, mais de 70% afirmaram ter diminuído o uso de redes sociais. Já 55% disseram que pararam de comprar por impulso, e uma parte significativa relatou evitar eventos sociais, sejam eles online ou presenciais. A decisão, em muitos casos, é uma forma de proteger o próprio bem-estar.
Por que tantas pessoas estão se desconectando?
O impacto da hiperconectividade no bem-estar
Nos últimos anos, a rotina digital passou a ocupar um espaço central na vida das pessoas. Redes sociais como Instagram, TikTok, Facebook e X (antigo Twitter) passaram a ditar não apenas tendências, mas também comportamentos e horários. No entanto, essa convivência ininterrupta com o ambiente digital tem um custo.
Especialistas apontam que a hiperconectividade pode afetar a capacidade de concentração, provocar ansiedade e gerar sentimentos de inadequação social. A pressão para acompanhar tudo, estar sempre disponível e manter engajamento nas redes leva muitos a um estado de esgotamento emocional.
Silenciar o mundo para recuperar a mente
Diante disso, desligar notificações, pausar publicações e evitar comparações constantes passou a ser um gesto de autocuidado. O estudo mostrou que muitos brasileiros têm optado por reduzir o tempo de tela e estabelecer horários específicos para checar redes sociais — quando não desinstalam os aplicativos completamente por alguns dias.
Redução de consumo por impulso também cresce
Menos compras, mais consciência
Além da redução da presença digital, outro dado chamou atenção: mais da metade dos entrevistados deixaram de realizar compras por impulso nos últimos meses. Essa mudança no padrão de consumo está relacionada à sobrecarga mental, mas também reflete maior consciência financeira e uma tentativa de romper o ciclo da gratificação instantânea.
A compra por impulso, muitas vezes estimulada por anúncios nas redes sociais, tornou-se menos frequente. Os consumidores estão mais cautelosos, questionando a real necessidade dos produtos antes de efetuar uma transação.
O peso das decisões e a fadiga da escolha
Outro fator relevante apontado por psicólogos é a fadiga de decisão — o cansaço causado por ter que tomar muitas decisões ao longo do dia, incluindo as mais simples, como o que comprar ou com quem interagir. Ao evitar exposições desnecessárias a propagandas e ofertas, as pessoas protegem seu foco e reduzem o estresse.
Distanciamento de eventos sociais também é reflexo da exaustão

Relações sociais mais seletivas
A pesquisa revelou ainda que muitos brasileiros estão evitando sair de casa, participar de encontros, reuniões ou compromissos sociais, mesmo que virtuais. Para muitos, a ideia de manter uma agenda cheia se tornou sinônimo de mais pressão.
Este comportamento não está relacionado à antipatia ou isolamento, mas à necessidade de preservar energia mental. A escolha de recusar convites e limitar interações é, para muitos, uma tentativa de restabelecer o controle sobre o próprio tempo.
O medo de esgotar a “bateria emocional”
Psicólogos explicam que a sobrecarga social — provocada por interações excessivas ou obrigatórias — pode resultar em sintomas como irritabilidade, cansaço constante e queda de produtividade. Por isso, dizer “não” a eventos tornou-se um recurso legítimo de autocuidado.
A influência da pandemia e da nova rotina pós-Covid
Lições de um período de isolamento
Embora os dados atuais reflitam um fenômeno contemporâneo, muitos dos comportamentos observados têm raízes na pandemia de Covid-19. O longo período de distanciamento social, combinado com o aumento do uso das redes e a migração de compromissos para o digital, acelerou a percepção de exaustão mental.
Agora, mesmo com o retorno à normalidade, muitas pessoas optam por manter um estilo de vida mais introspectivo, com menos ruído e mais equilíbrio.
Especialistas reforçam a importância da desaceleração
A saúde mental pede menos estímulo e mais pausa
De acordo com profissionais de saúde mental, o cenário atual exige mais atenção à higiene mental. Isso inclui práticas como limitar o tempo de exposição às telas, praticar atividades offline, reservar momentos de silêncio e até buscar ajuda terapêutica quando necessário.
O valor da introspecção
Os psicólogos também destacam que o comportamento de evitar eventos sociais ou consumir menos não deve ser visto como um sintoma de isolamento preocupante, mas como uma resposta saudável ao excesso de estímulos. A introspecção, quando voluntária e consciente, pode ser benéfica e restauradora.
O que muda para as empresas e para a sociedade?
Novos hábitos, novos formatos
Com essa nova configuração de comportamento, marcas, empresas de tecnologia e produtores de conteúdo precisarão se adaptar. A lógica do “quanto mais barulho, melhor” parece perder espaço para estratégias mais respeitosas, silenciosas e focadas em bem-estar.
Campanhas publicitárias mais sutis, conteúdos que promovam paz e equilíbrio e interações menos invasivas tendem a se conectar melhor com um público que valoriza a saúde mental.
O papel das organizações
No campo corporativo, cresce a discussão sobre a importância de ambientes que respeitem os limites psicológicos dos colaboradores. Iniciativas como pausas intencionais, incentivo ao desligamento fora do expediente e apoio emocional interno devem ganhar cada vez mais relevância.
Caminhos para uma convivência mais saudável com o mundo digital
Dicas práticas para reduzir a sobrecarga mental
- Estabeleça horários específicos para usar redes sociais
- Use aplicativos de controle de tempo de tela
- Desative notificações que não são urgentes
- Escolha interações sociais de forma mais consciente
- Planeje períodos de descanso longe de telas
- Considere práticas como meditação, leitura ou caminhadas
O digital não precisa ser vilão
A ideia não é abandonar a tecnologia, mas redefinir a forma como ela é usada. Estar online pode ser produtivo, inspirador e até relaxante — desde que o uso seja moderado, consciente e respeite os limites pessoais.
Considerações finais: o recado silencioso da mente cansada
Os dados revelados pela pesquisa mostram que os brasileiros estão ouvindo um chamado urgente: o da própria saúde mental. Ao reduzir o uso das redes, consumir menos e ser mais seletivos com seus compromissos, muitos estão redescobrindo o valor do tempo, do silêncio e da qualidade de vida.
O cansaço coletivo talvez seja o empurrão necessário para uma nova fase: mais leve, mais autêntica e menos refém do imediatismo digital.













