Após anos de experiências, cientistas criam o primeiro ser híbrido entre humanos e porcos
Parece loucura, mas uma equipe de pesquisas liderada pelo Instituto Salk, na Califórnia, Estados Unidos, anunciou a criação do primeiro ser híbrido humano-animal.
No projeto, células humanas foram introduzidas em um organismo não-humano – no caso, em porcos. A intenção dos cientistas era avaliar se essas células conseguiriam sobreviver e crescer.
O experimento representa um considerável progresso no campo da biomedicina, já que há tempos cientistas se aventuram na questão do hibridismo entre as espécies a fim de encontrar uma solução para a escassez de doadores de órgãos.

A criação da equipe do instituto é cientificamente nomeada como quimera: quando um organismo contém as células de duas espécies diferentes. Até então, quimeras que envolvessem humanos e bichos sempre foi algo fora de alcance.
Para que uma criação seja considerada quimerismo genético, é necessário, primeiramente, a introdução de órgãos de um animal em outro, o que pode ser um procedimento arriscado já que o sistema imune do hospedeiro pode rejeitar o órgão.
Um segundo caminho seria partir da fase embrionária, na qual haveria a introdução das células de embrião de um animal em outra espécie e estas cresceriam em conjunto dentro de um ser híbrido.

A pesquisa levou mais de quatro anos para apresentar um resultado concreto. O maior desafio da equipe foi determinar o momento certo para introduzir as células humanas sem que houvesse o risco de matar os porcos. Os cientistas tentaram três tipos diferentes de células no processo de desenvolvimento.
No total, os pesquisadores envolvidos conseguiram criar 186 embriões que sobreviveram no corpo dos animais. E agora, a próxima etapa envolve a busca por um caminho que os auxilie a aumentar o número de células que os embriões podem aguentar. O número atual gira na casa das 100 mil células, o que é considerado uma percentagem baixa. Vale a ressalva de que o tecido humano parece retardar o crescimento do embrião e de seus órgãos, um obstáculo a ser superado.
Embora todos os resultados conquistados estejam ainda em fase inicial, o avanço obtido é inegável.
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