Saúde e Bem-Estar

Pesquisadores revelam que alimentos ultraprocessados dificultam o emagrecimento, mesmo em dietas saudáveis

O impacto dos ultraprocessados no emagrecimento

Pesquisadores da University College London (UCL) identificaram que a presença de alimentos ultraprocessados na dieta pode atrapalhar a perda de peso, mesmo quando o cardápio é equilibrado em nutrientes e calorias. O estudo acompanhou 55 voluntários por oito semanas, dividindo-os em dois grupos: um que consumia alimentos minimamente processados e outro cuja base alimentar incluía produtos ultraprocessados. Apesar de ambos seguirem planos com valores nutricionais semelhantes, o grupo que evitou ultraprocessados perdeu o dobro de peso em comparação ao outro.

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O que são alimentos ultraprocessados?

Definição

A classificação NOVA, usada mundialmente em pesquisas, define ultraprocessados como produtos resultantes de várias etapas industriais e que contêm aditivos como conservantes, corantes, aromatizantes e estabilizantes. Eles são formulados para serem práticos, duradouros e saborosos, mas geralmente têm baixo valor nutricional.

Exemplos comuns

Entre os mais consumidos estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, cereais matinais adoçados, molhos prontos e refeições congeladas. Embora práticos, eles apresentam alto teor de açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade.

Por que eles dificultam o emagrecimento?

ALIMENTOS
Imagem – Bestofweb/Canva

Menor sensação de saciedade

Mesmo com calorias controladas, o estudo mostrou que quem consumia ultraprocessados sentia fome com mais frequência. Isso levou a uma maior ingestão de alimentos ao longo do dia, prejudicando a perda de peso.

Estímulo ao consumo excessivo

A combinação de açúcar, sal e gordura, aliada a texturas e aromas artificiais, torna esses produtos hiperpalatáveis, incentivando o cérebro a buscar mais comida, mesmo sem necessidade energética real.

Menor redução de gordura corporal

O grupo que consumiu alimentos frescos teve perda significativa de gordura, enquanto o outro perdeu mais massa magra, o que não é ideal para a saúde.

Estudos que reforçam os resultados

Pesquisas anteriores já mostravam que o consumo frequente de ultraprocessados está relacionado ao aumento de peso e ao risco de doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Um estudo do Instituto Nacional de Saúde dos EUA apontou que dietas ricas nesses alimentos fazem as pessoas ingerirem, sem perceber, cerca de 500 calorias extras por dia.

Consequências para a saúde a longo prazo

Aumento do risco de obesidade

O consumo contínuo de ultraprocessados favorece o acúmulo de gordura visceral, associada a doenças metabólicas e inflamações.

Alterações no metabolismo

Dietas baseadas nesses produtos podem gerar inflamação crônica e prejudicar a regulação hormonal, dificultando a perda e a manutenção de peso saudável.

Implicações para políticas públicas

Especialistas sugerem que diretrizes nutricionais passem a incluir o grau de processamento como critério para recomendações alimentares, e não apenas valores nutricionais. A regulação também poderia abranger publicidade e taxação de produtos ultraprocessados para reduzir seu consumo.

Estratégias para reduzir o consumo de ultraprocessados

Priorizar o preparo caseiro

Cozinhar em casa garante maior controle dos ingredientes e evita aditivos nocivos. Marmitas, saladas frescas e sopas caseiras são alternativas práticas.

Atenção aos rótulos

Produtos com listas extensas de ingredientes e nomes técnicos pouco comuns indicam maior processamento. Optar por opções simples e com poucos componentes é essencial.

Substituição gradual

Trocar salgadinhos por castanhas, refrigerantes por sucos naturais e bolachas por frutas ajuda na transição para uma dieta mais saudável sem causar impactos bruscos.

Benefícios de consumir alimentos minimamente processados

Além de favorecer a perda de peso, esses alimentos oferecem mais fibras, vitaminas e minerais, melhorando a saciedade e a energia diária. Também contribuem para um melhor funcionamento intestinal e fortalecimento do sistema imunológico.

Como criar uma dieta com menos ultraprocessados

Planejamento semanal

Organizar o cardápio e a lista de compras ajuda a evitar escolhas por impulso e reduz a dependência de produtos prontos.

Ingredientes versáteis

Leguminosas, verduras, ovos, frango e peixe podem ser preparados de diversas formas, garantindo variedade nas refeições.

Hidratação adequada

Manter o consumo de água evita a substituição por bebidas industrializadas e ajuda a controlar a fome.

A relação entre ultraprocessados e saúde mental

Pesquisas recentes também sugerem que dietas ricas em ultraprocessados podem estar associadas a piora no humor e aumento do risco de ansiedade e depressão. Isso reforça que a escolha dos alimentos vai além da questão estética ou de peso e envolve também bem-estar emocional.

A importância da educação alimentar

Campanhas educativas em escolas e comunidades podem ajudar a conscientizar sobre os riscos dos ultraprocessados e ensinar alternativas acessíveis. Saber identificar e preparar alimentos mais naturais é um passo importante para a saúde coletiva.

Considerações finais

O estudo da University College London confirma que a simples presença de ultraprocessados na dieta pode reduzir a eficácia de um plano de emagrecimento, mesmo que o cardápio seja saudável no papel. Priorizar alimentos frescos e minimamente processados não apenas favorece a perda de peso como melhora a saúde a longo prazo. Pequenas mudanças, como cozinhar mais em casa, ler rótulos e substituir gradualmente produtos industrializados, podem fazer grande diferença no controle do peso e na qualidade de vida.