Saiba quando as crianças estão sofrendo ou praticando bullying e o que você deve fazer


Saiba quando as crianças estão sofrendo ou praticando bullying e o que você deve fazer
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Considerando que, hoje em dia, cada vez menos os pais têm tempo para ficar em casa e cuidar de seus filhos, muitos problemas passam despercebidos. Dentre eles, um dos mais graves certamente é o bullying. Você já notou, por exemplo, alguma mudança de comportamento nas crianças ou nos adolescentes? O rendimento escolar deles caiu? Se sim, você sabe o que motivou isso?

De acordo com informações de especialistas entrevistados pelo G1, os pais devem ter uma atenção especial a quatro tópicos para serem capazes de identificar se o filhos sofrem com o problema ou até mesmo se são eles quem o provocam.

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  1. Ouvir os filhos e transmitir confiança a eles;
  2. Prestar atenção em mudanças súbitas de comportamento;
  3. Ter conhecimento sobre quais são os perfis mais típicos de bullying;
  4. Saber que o bullying não se limita a violência física.
Ouvir os filhos e passar confiança a eles

A colunista do G1 e especialista em educação, Andrea Ramal, diz que é importante os pais oferecerem uma relação de diálogo aberto com os filhos, de forma que eles se sintam confiantes em falar sobre seus problemas. Andrea reforça a importância dos responsáveis terem sensibilidade e a capacidade de compreender a situação a qual está lidando. “Jamais se deve, em casa, reforçar o comportamento de sofrer calado porque ‘todo mundo passa por isso’, nem mostrar orgulho porque o filho é ‘o valentão da escola’ e todos o temem”, diz.

Foto: Pai de Cinco / Reprodução

A jornalista e escritora Vanessa Bencz chama a atenção para o fato de ser importante os pais monitorarem as interações virtuais das crianças e dos jovens: “Os pais falam ‘não quero entrar, invadir a intimidade do meu filho’. A internet é tão perigosa quanto qualquer rua da cidade. Tem que olhar sim, tem que fiscalizar sim”.

Se atentar às mudanças de comportamento

De acordo com a professora e especialista em bullying Cleo Fante, “o calar é o mais fatal no bullying“. O silêncio se torna um perigo real à medida que a vítima se fecha e se isola cada vez mais. É comum que crianças e adolescentes que encaram o problema de perto apresentem mudanças em seu comportamento, o que envolve uma menor interação com a família. Muitas vezes, por vergonha.

“O silêncio é a pior arma. Quanto mais a vítima silencia, mais infernizam a vida. Quando há a aceitação, agrava mais a situação. Se o apelido não faz efeito, podem partir para a agressão”, conta Cleo.

Outro fator comum em quem sofre com o bullying é o comportamento agressivo. “É importante prestar atenção nos comentários quando assiste TV, quando está na internet, comentários pejorativos, mais fortes”, alerta Vanessa.

Foto: Reprodução

Da mesma maneira, os efeitos do bullying podem comprometer consideravelmente o rendimento escolar e as faltas de quem está envolvido com ele. Estar diante da grave situação pode causar resistência dos filhos ao ambiente escolar, além de comportamentos como desanimo, desinteresse e pedidos para ir embora mais cedo. “Se isso é constante, não descobre o que é, pode levar à investigação de bullying. (…) A criança reluta em ir para a escola, diz que é chata, que não gosta dos amigos. Tem dores, pesadelos, transtornos alimentares, de sono, ansiedade, transtornos compulsivos, depressivos”, afirma a jornalista.

Conhecer os perfis do bullying

É de fundamental importância que os pais se atentem a alguns fatores no que diz respeito aos perfis mais típicos de bullying. O principal alvo, segundo Cleo, costumam ser as crianças enxergadas como diferentes ou que não se encaixem nos padrões sociais: “Aquelas que são diferentes costumam ser alvo: obesas, muito magras, com manchas, marcas, cicatrizes, que usam óculos, homossexuais, muito sensíveis ou muito irritadas”. A dificuldade em se enturmar é algo que não pode ser ignorado pelos pais.

No caso dos agressores, um detalhe a ser observado é sua dificuldade para seguir regras. Crianças ou jovens que costumam brigar, são desobedientes ou exercem liderança e comportamento negativos são perfil comum de quem provoca. “Os pais precisam conversar abertamente, orientar para o respeito nas relações, para a não discriminação, para a tolerância de quem é diferente”, ressalta Cleo. E assim que o agressor é identificado, a especialista diz que o melhor caminho é uma “responsabilização de acordo a ação cometida. Elas precisam ser chamadas à razão, tanto em casa quanto na escola”.

Foto: Reprodução

Vale a ressalva também de que, muitas vezes, as plateias que se formam durante as agressões são um problema muito sério. Não existe normalidade em achar graça em humilhar uma outra pessoa. A ‘plateia’ contribui com o agressor. “Em torno daquele que agride e daquele que é atacado, costuma haver uma turminha que ri e aplaude. Sem esse sucesso, os agressores costumam desistir. Quando houver alguém sofrendo atos de crueldade, cabe a denúncia”, afirma Vanessa.

Bullying não é só violência física

De acordo com uma lei que entrou em vigor no início de 2016, o bullying não somente se restringe às agressões físicas. Ele também é, de acordo com o G1:

  • Verbal: insultos, xingamentos e apelidos pejorativos;
  • Moral: difamação, calúnias e rumores disseminados;
  • Sexual: assédio, indução e/ou abuso;
  • Social: ignorar, excluir e isolar;
  • Psicológico: perseguir, aterrorizar, intimidar, manipular e chantagear;
  • Físico: socos, chutes, agressões;
  • Material: furtos, roubos, destruição de pertences alheios;
  • Virtual: depreciar, enviar mensagens que intrudem a intimidade, adulterar ou expor dados e fotos pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de causar constrangimento psicológico e social.
O que fazer?

De acordo com os especialistas, o caminho para solucionar o problema deve ser trilhado em conjunto entre a família, a escola e os amigos. E as principais medidas a serem tomadas são: reconhecer a existência do bullying; Ter conhecimento da lei de combate ao problema e cumprir as orientações; Transformar os valores dos alunos dentro das escolas; Engajar os professores; Envolver mais os pais na vida escolar dos filhos; Nunca subestimar o cyberbullying (bullying virtual).

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