“Saia do meu país”, diz homem para refugiado sírio que trabalha em Copacabana, Rio de Janeiro


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O Brasil é um país repleto de povos advindos de inúmeros lugares do mundo e é essa mistura que forma a beleza do nosso lugar. Muitos imigrantes chegam aqui à procura de melhores condições de vida e de trabalho ao ouvir como os brasileiros são receptivos.

Mas não foi bem isso que aconteceu com um refugiado sírio que veio para o Rio de Janeiro há três anos. Recentemente, enquanto trabalhava vendendo esfirras e outros alimentos árabes em seu ponto de venda, em Copacabana, Mohamed Ali, de 33 anos, foi vítima de um ataque e agredido verbalmente por um homem por causa do local de venda.

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A cena toda foi registrada em vídeo. Nela, é possível observar um homem com um pedaço de madeira ameaçando Mohamed e falando para ele ir embora: “Saia do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis”, disse. Ele continua com ofensas e outros comerciantes inclusive derrubaram as coisas do imigrantes.

Mesmo assim, ainda é possível ouvir algumas pessoas o defendendo, falando que ele estava apenas trabalhando e buscando seu sustento.

Mohamed parece não entender o que está acontecendo e o motivo das agressões e desabafou:

“Eu não entendi muito bem porque ele veio brigar comigo. De repente ele começou a gritar e me pedir para sair. Ele falava muito rápido e não consegui compreender algumas coisas. Outras pessoas que estavam traduzindo para mim. Sei que ele falou que os muçulmanos estavam invadindo o país e falando de homens-bomba. Não esperava que isso pudesse acontecer comigo. Vim para o Brasil porque a guerra me fez vir para cá. Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões, e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá”, conta.

Ele retirou seus pertences do local, mas alegou que não quer confusão e não prestará queixas na polícia pelo ocorrido. De qualquer forma, ele não pretende sair do país ou parar com seu trabalho:

“Passei a trabalhar em outro ponto para não encontrá-lo novamente, mas não vou sair daqui. Mudar, trocar de casa, é difícil. Espero apenas que não aconteça novamente. Foi muito triste. Não quero outra briga. Fico com medo. Trabalho sozinho.”, diz.

O titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, diz ter conhecimento das imagens, mas que para uma atitude ser tomada, é preciso que Mohamed preste queixa:

“O ofendido não compareceu para registrar e denunciar o feito. Ameaça e injúria dependem de manifestação de vontade da vítima. Independente disso estamos analisando as imagens para tentar localizar os envolvidos. Estamos diligenciando.”

A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) também se manifestou através de uma nota: “É inaceitável casos de xenofobia e intolerância religiosa ainda aconteçam no Rio de Janeiro. Essas pessoas saíram dos seus países por serem vítimas de algum tipo de perseguição e viram no Brasil uma oportunidade de recomeço. Eles trazem uma grande contribuição para a economia do estado, além da rica troca cultural com os fluminenses.”, afirma o secretário Átila A. Nunes na nota divulgada.

A reação das pessoas ao assistirem o vídeo foi de pedir desculpas a Mohamed e se mostraram revoltados. Você pode conferir a situação aqui:

Foto: Reprodução/Vídeo

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