Casal de palhaços viaja de Fusca pelo Brasil todo por motivo que renderia um filme


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Rafael se veste de palhaço e leva alegria às pequenas comunidade do país ao lado de sua companheira

A cultura é o que leva um país adiante, que inspira e coloca sonhos dentro de cada criança, jovem, adulto ou idoso. Infelizmente, ela tem uma certa dificuldade em chegar a locais mais afastados ou àqueles que possuem pessoas com o nível financeiro mais baixo, devido a falta de informação.

Mas pensando exatamente nisso é que a ideia incrível de levar filmes e espetáculos de teatro às cidades do interior  surgiu na cabeça do artista Rafael Trevo, mais conhecido como Palhaço Trevolino.

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Ele decidiu embarcar nessa aventura dentro de um Fusca 1964 e, desde 2012, viaja cerca de 15 mil km pelo Brasil a fim de levar cultura para as pequenas comunidades. Rafael, que morava em São Paulo, e, mesmo com apenas R$ 150 no bolso, queria provar a todos de que é possível, sim, viver de arte.

Ele se despediu da família e enfrentou um de seus primeiros desafios, que foi pedalar cerca de 2.800 quilômetros até a cidade da bisavó, no interior do Ceará. E foi no meio do caminho, em Brasília, que o artista conheceu a arquiteta Letícia Marins. Ela se tornaria sua companheira e parceira de trabalho e, por surpresa de Rafael, a maior incentivadora desse lindo trabalho.

Nova companheira de aventuras

O mais inesperado, no entanto, é que Letícia desistiu de sua carreira para começar essa história trabalhando no sinal. Isso porque, em João Pessoa – local que o casal realmente começou a trabalhar junto – ela tocava pandeiro enquanto Rafael entrava no farol e jogava malabares no ritmo da música da namorada. “A arquiteta saiu de Brasília pra ir trabalhar no sinal”, brinca o artista.

Nesse meio tempo, Letícia teve que voltar para Brasília para resolver algumas coisas e ambos prometeram que continuariam aquele trabalho juntos no ano seguinte. Enquanto isso, Rafael seguiu viagem, onde pode finalmente se encontrar com sua bisavó. Neste mesmo dia, um dos sonhos do artista foi realizado quando ela assistiu uma de suas apresentações e disse: “meu filho, parabéns, você é um ótimo artista.”

“Um ano pareceu dez pelo tanto de gente que conheci, coisas que vivi”, disse ele ao G1. “A bike e o Fusca abrem muitas portas, porque você fugir do tradicional é muito louco. Na verdade, as pessoas querem isso, só não têm coragem.”

O melhor do ser humano

“Ali eu vi o melhor do ser humano, gente que me deu uma cama pra dormir, que dividiu o pouco de comida que tinha comigo. Um desconhecido que me colocou dentro da casa dele, ofereceu banho, rango.” Depois desse longo caminho, Rafael voltou para casa em São Paulo – de avião, para ganhar um descanso – e já começou a planejar seu próximo projeto. Ele pegou o Fusca de R$ 5.000 que tinha comprado com as economias de um ano de trabalho e saiu em mais uma aventura com Letícia.

Assim, o casal finalmente criou a Cia. da Sorte, que leva teatro, cinema e humor, e planejou a viagem dentro do Fusca, que exibe filmes em regiões desassistidas. Mais para frente, esse projeto ganharia o nome de Cine Fusca. “Quando você vai atrás do seu sonho, incentiva o outro a fazer a mesma coisa”, disse o artista ao Portal de notícias G1.

Durante um ano, Rafael e Letícia viveram com a ajuda de moradores para tomar banho, comer e dormir. “Essa viagem me transformou como ser humano. Eu tive que viver um ano com o que cabia na bike e depois em um Fusca. Então, minha forma de consumir mudou”, diz ele.

Atualmente, o artista vive dentro de uma Kombi estacionada no terreno da chácara de uma amiga no Lago Oeste, em Brasília. “É meu estilo de vida. Eu troco isso por cuidar da chácara e não envolve dinheiro, o que obriga uma relação humana – o que eu acho muito mais interessante.”

Uma história de vida que daria um belo roteiro para um filme, não acha?

Fonte: G1

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