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Marinaldo Tirotsi Ashaninka, 40 anos, é membro de uma tribo indígena descendente dos povos incas, que vive na Floresta Amazônica, no interior do Acre. Aos 9 anos, ele teve o pé picado por uma cobra.

A princípio, ele conseguiu realizar suas atividades diárias normalmente, mesmo perdendo alguns dedos do pé. Mas quando a picada se tornou uma necrose a avançou pela perna, Marinaldo não teve outra escolha a não ser amputá-la.

Ele achou que sua vida nunca mais poderia ser normal, até que tudo mudou com a visita do renomado fotógrafo Sebastião Salgado. Comovido com a história de Marinaldo, Salgado ofereceu ajuda.

O fotógrafo relatou a situação à Foundation House of Indians, que há 15 anos trabalha para preservar a cultura indígena brasileira. A entidade conseguiu um parceiro disposto a doar uma prótese mecânica para Marinaldo em Sorocaba, interior de São Paulo. Para custear a viagem, Sebastião doou 50 livros com suas belas fotografias.

O sócio proprietário da empresa responsável pela prótese, Nelson Nolé Filho, contou em entrevista ao G1 que foi realizada uma extensa pesquisa sobre a tribo Ashaninka Apiwyxa, a qual Marinaldo pertence, para que a prótese atendesse às necessidades do indígna conforme seu cotidiano e ambiente:

"Fizemos dois modelos de prótese mecânica: uma para ele usar para caçar e pescar com um material mais pesado e mais resistente. Esse produto veio da Finlândia e é uma fibra de carbono impermeabilizante que não mofa. E uma outra protése mais leve, para ele andar no dia a dia, que vai lhe dar mais mobilidade".

As próteses ainda foram personalizadas: uma tem o desenho de um pássaro, que inspirou o nome do índio, e a outra tem uma foto feita de sua família (esposa grávida, mais seus dez filhos) feita por Sebastião Salgado.

Marinaldo não conteve sua empolgação ao dar os primeiros passos na clínica de fisioterapia em Sorocaba e, quando questionado sobre o que mais quer fazer quando for capaz de andar normalmente, ele respondeu:

"A prótese vai me ajudar a voltar a caçar, pescar, ajudar minha família. Até jogar bola vou tentar voltar a jogar, porque lá na minha tribo o pessoal gosta de jogar para se divertir. Vamos ver se eu vou conseguir fazer isso agora. Quero fazer coisas que me deixam muito feliz." finaliza.

Ana Oliveira

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