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O preconceito ainda existe. E muito. Diariamente vemos casos que comprovam essa afirmação e desmentem a ideia de que o preconceito acabou. E são cada vez mais revoltantes, mostrando que em certos momentos, há uma regressão no que diz respeito ao amor ao próximo, respeito e aceitação.

Juliano Trevisan, um advogado negro, foi barrado ao entrar em uma casa noturna em Curitiba, Paraná, pois segundo o funcionário do estabelecimento, ele não estava vestido adequadamente e foi confundido com um segurança:

“O funcionário me olhou dos pés a cabeça e informou que pelo meu estilo, com 'a roupa que estava usando eu não poderia entrar'. (...) Na hora a situação me chocou tanto, que fiquei bobo. Não quis discutir, não quis “acabar com minha noite e de meus amigos”, então simplesmente falei que iria embora”, contou o advogado, em uma carta aberta que publicou em suas redes sociais. A postagem viralizou e os internautas resolveram reagir ao assunto também.

Segundo Juliano, em sua carta, ele usava exatamente a roupa da foto abaixo ("camisa manga curta preta, calça social, sapato marrom, e gravata preta"), mesma roupa que havia usado em um evento para advogados, momentos antes.

Reforçando o fato de que ele poderia ser confundido com um segurança, o funcionário do James Bar ainda completou:

"O segurança que estava do lado e tinha um rabo de cavalo ainda completou: “e não tem como você falar do seu cabelo, pois eu também tenho cabelo comprido, olha”.

Em seu post, Juliano diz que ficou extremamente chocado e humilhado: "Como militante, vivo expondo situações de preconceito e discriminação e os vários viés. Mas quando acontece comigo, ainda fico chocado sem ação."

Ele ainda falou sobre como é importante que as casas noturnas tenham mais preparo, para que situações como essas não aconteçam mais. E ressaltou a necessidade de expô-las, para levantar discussões:

"Pra que um problema social seja resolvido, ele primeiro deve sempre ser apontado. Isto por que parte da sociedade insiste em relutar contra as inúmeras situações passadas hoje por negros, mulheres, gays e demais grupos de minoria, insistindo em dizer que o preconceito e a discriminação hoje em dia são “mimimi”.

Já o estabelecimento James Bar se retratou publicamente nas redes sociais através de uma nota, dizendo que a atitude dos funcionários em relação a Juliano não condiz com os valores do local e que eles foram demitidos.

"Infelizmente, ocorreu um episódio do qual devemos nos retratar e esclarecer o que aconteceu. Estamos muito chateados e envergonhados. Na noite de quinta-feira (13/07), o Juliano foi equivocadamente informado que não poderia entrar no bar por conta do que estava vestindo. Essa foi uma atitude errada e que não condiz com o que acreditamos."

O James Bar finalizou a nota dizendo que aprenderam muito com a situação e estão trabalhando para que o local seja regrado de respeito e tolerância.

Esperamos que esse tipo de discriminação não se repita e que as medidas cabíveis sejam tomadas.Foto: Reprodução/Facebook

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