Casal do Espírito Santo se inspira em Bruno e Gioavanna e adotam menina do Malawi


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Malawi é um país que não possui fila de espera para adoção

Tudo aconteceu no estado do Espírito Santo, Brasil, onde o casal Vanessa Rosário, de 36 anos, e Felipe Tessarolo, da mesma idade, decidiram que queriam ser pais e adotar uma criança.

A decisão foi tomada depois que Vanessa descobriu que tinha problemas para ter filhos biológicos, e a primeira opção dos dois foi adotar uma criança brasileira, afinal, os orfanatos aqui no país estão lotados de pequenos esperando uma família.

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No entanto, Vanessa e Felipe descobriram que a fila para adoção no país poderia demorar em torno de 7 anos. “Tanta coisa pode acontecer em 7 anos”, conta a consultora de moda.

Foi então que eles buscaram inspiração no casal de famosos, Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, que são pais de Titi, adotada no Malawi. Eles descobriram que, além de ser um país carente, o Malawi não possui fila de espera para adoção.

Confira o depoimento de Vanessa:

“Fui ao Malawi com meu marido em dezembro do ano passado. Entrei em um dos orfanatos e, ao chegar na ala das crianças de zero a dois anos, dei de cara com uma fila de bebês amontoados em um cadeirão coletivo. Todas de cabeça raspada, com roupinhas parecidas. Não dava pra saber quem era menino e menina. Uma daquelas crianças puxou meu braço. Ela queria brincar com a minha unha, que estava pintada de vermelho. E ela não me largou mais.

Faz dois meses que Eva, nossa Maria Eva Tadala vive sob nossos cuidados, aqui no Espírito Santo. Em 60 dias, foram quatro centímetros de crescimento, três quilos a mais e várias palavras em Português: banana, vovó, mamãe, papai e pula-pula são as preferidas. Quando chegou, ela mal engatinhava. Hoje, anda e quase corre por toda a casa. Eu e meu marido contamos a ela a própria história todos os dias. Falamos sobre como ela, seu cabelo e sua cultura são lindos. Nunca deixaremos que ninguém a desmereça por ter uma história diferente.

Desde a ideia de adotar uma criança estrangeira até a chegada de Eva, se passaram seis meses. Meses de muita tensão, medo e um amor que crescia sem parar. No começo, fiquei receosa com a reação das pessoas que conviviam comigo. Tinha medo de ouvir que deveria ter adotado uma criança brasileira e que aqui os orfanatos estão cheio. E era a minha intenção inicial, mas quando entrei na fila, me deram um prazo de sete anos. Tanta coisa pode acontecer em sete anos… Foi desesperador. Eu já era mãe, eu sentia que era mãe. Não dava para esperar. Minha família nos apoiou demais, meu irmão foi adotado e há casos de adoção na família do Felipe também. Hoje, todos babam pela Eva.

Conhecia as histórias da Madonna e da Giovanna Ewbank, que também têm filhos do Malawi, mas jamais imaginei que eu, uma pessoa ‘comum’, conseguiria dar andamento a um processo tão caro — ainda mais com a ajuda do mesmo advogado que cuidou da adoção da Titi. E foi o destino. Eu não busquei o Rafael [advogado do casal de atores]. O nome dele chegou até mim durante uma conversa com o cônsul do Brasil no Malawi. Ele me passou o contato, liguei e joguei a real: ‘Sou de classe média. Consigo dar andamento a essa ideia?’. Ele foi direto: ‘É caro, mas é possível’. Nos desdobramos. Pedimos dinheiro à família e gastamos todas as nossas economias. Foi o dinheiro mais bem investido da minha vida.

Tivemos que ir ao Malawi duas vezes nesses seis meses. Foi sorte, porque normalmente são três viagens até que a adoção seja concluída. Quando fomos pela primeira vez, nos apaixonamos pela Eva de cara e, por sorte, ela estava apta a ser adotada — os pais tinham falecido e parentes distantes concordaram com a adoção. O voo era difícil, saíamos de Vitória, parávamos em São Paulo e em Joanesburgo antes de chegarmos em Lilongwe, capital do Malawi. Lá, era tudo muito caro. Os hotéis eram muito simples, e ainda assim caros, ou extremamente luxuosos. Tínhamos um advogado aqui no Brasil e outro lá. Estivemos em contato durante todo o tempo com o cônsul e inclusive com os parentes distantes da nossa filha. Meu celular não parava de tocar, a burocracia era gigante. Foram noites sem dormir até o dia da audiência, que foi marcada em 21 de fevereiro. O resultado só saiu no dia seguinte, às quatro da tarde. Essa foi a pior noite das nossas vidas.

São apenas cinco crianças malauianas adotadas por brasileiros. Achamos muito importante que elas convivam, que se identifiquem, se reconheçam umas nas outras. Quando a Eva crescer um pouco mais, vou me esforçar para fazer com que ela conviva com a Titi e com suas outras conterrâneas.

Minha filha se chama Maria Eva Tadala. O ‘Maria’ tem uma história linda. Esse é o nome da minha mãe e da mãe do Felipe. Antes mesmo de pensar em engravidar, Maria já era, portanto, um nome certo pra gente. Só, que foi depois do meu primeiro contato com a minha filha, ainda sem saber se ela era um menino ou uma menina, que tive a certeza. Perguntei a uma das freiras do orfanato como se chamava aquela criança brincalhona na ala de bebês, e a resposta me fez chorar: era uma menina. E chamava Maria.

O ‘Tadala’ é um nome do Malawi, que significa ‘nós fomos abençoados’ em chewa, a língua local. E Eva é porque gosto desse nome.

Parei de trabalhar por um tempo para acompanhar esse período de adaptação da minha filha, afinal, faz apenas dois meses que ela está com a gente. Ela já frequenta a creche e ama, é apaixonada pelos amigos e pelas ‘tias’. Quando chega, beija e abraça todo mundo. Decidimos que ela iria para a creche após um mês, afinal, ela já convivia com crianças no orfanato no Malawi. Não queríamos tirar isso dela.

E eu quero mais filhos. Não saí da fila de adoção aqui no Brasil. E, se pudesse, teria mais cinco filhos adotivos”, finaliza a mamãe orgulhosa.

Fonte: UOL

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