Jovem desenvolve pavor de comida e desabafa ao revelar o que seu medo a causou


Menina desenvolve pavor de comida e para de crescer
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Quando era criança, Errin Godwin Whalley dava sinais de que teria uma carreira brilhante no balé. Talentosa, a menina de Pitlochry, na Escócia, que hoje tem 17 anos, conquistou seu espaço na escola britânica Ballet West, que conta com muito prestígio, mas um curioso pavor que ela desenvolveu na infância quase pôs tudo a perder: o medo de comida.

Mais do que um simples medo, Errin desenvolveu pavor de alimentos, o que atrapalhou drasticamente o seu processo natural de crescimento. Quando ela completou 11 anos era difícil imaginar que tinha mais de 6.

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O medo descomunal surgiu quando a jovem bailarina ainda era bebê. Uma reação alérgica a deixou severamente assustada e a fez desenvolver rejeição a qualquer tipo de alimento. Na época ela precisou ser socorrida por um helicóptero e levada imediatamente ao hospital. O trauma se tornou tão grande que ela precisou do auxílio de uma sonda para conseguir se alimentar.

À BBC, a jovem revelou que ficava com medo de experimentar qualquer comida nova e não tinha coragem de comer nada que não fosse salsicha ou massa. “Eu tinha muito medo porque coloquei isso na cabeça, que qualquer comida iria me deixar doente. Desde que eu tive uma reação alérgica, pensei que comer era algo que me fazia mal e aí parei. Fui gerando um medo de qualquer comida. Então simplesmente me negava a provar qualquer coisa”, contou.

A deficiência no crescimento fez com que, aos 11 anos, Errin parecesse ter uma idade bem menor – Foto: Arquivo Pessoal
Impacto no corpo

Myette Whalley, a mãe de Errin, explica que as reações alérgicas se manifestaram após ela dar à filha um pouco de homus e um biscoito de arroz: “Ela começou a ter reações, os lábios incharam e mudaram de cor, parecia que estava passando muito mal. Tivemos que chamar uma ambulância para levá-la para o hospital”. Por conta do ocorrido a menina simplesmente colocou na cabeça que não comeria mais. E no hospital, bem magra e desidratada, precisou de uma sonda, pois caso contrário sua vida estaria em risco.

Também à BBC a psicóloga clínica Gillian Harris, especialista em problemas de alimentação infantil, explicou que o problema costuma ocorrer somente com uma em cada 600 crianças. E a doença se manifesta em graus diferentes. “Errin parece ter um transtorno alimentício que restringe e impede a ingestão de alimentos. Acredito que ela também tenha uma hipersensibilidade sensorial”, explicou.

A mãe conta que a situação não parecia ser levada a sério por pessoas ao redor. Havia quem dizia ‘deixa ela comigo por umas semanas que eu vou fazê-la comer’, mas a prática não era tão simples quanto a teoria. E o que não faltava também era gente dizendo para a mãe ‘ficar tranquila, pois ela não morreria de fome’, mas ela passava fome e o caso se agravava.

Por consequência do medo, Errin foi diagnosticada com deficiência múltipla hipotálamo-hipofisária, uma deficiência no crescimento que deixa os músculos debilitados e prejudica os movimentos. “Isso não é algo que as crianças vão fazer. Elas não estão sendo teimosas, e a maioria dos pais está tentando de tudo, então não é culpa deles também”, disse a médica.

Cura da doença

Hoje, aos 17 anos, a britânica afirma não ter mais medo de comida, mas o tratamento não foi fácil e tampouco levou pouco tempo. A psicóloga explica que o melhor caminho a ser seguido é adotar um sistema moderado de alimentação. Ou seja, deixar que, por um tempo, a criança coma somente o que a deixe confortável.

“No geral, isso seriam carboidratos secos, marrons ou beges, que as pessoas costumam considerar ‘junk food’. Mas isso não pode ser classificado como ‘junk food’ quando é para pessoas que precisam comer. Não importa se será pão, massa, cereais, batata frita, chocolate ou iogurte – eles precisam comer. Então a estratégia tem que ser dar a eles os alimentos de que eles gostam e, pouco a pouco, ir inserindo outros alimentos nessas refeições”, afirma a médica.

Foto: Reprodução

E após se recuperar, Errin pôde, enfim, voltar à dança. “Com ajuda médica e muito trabalho duro, desenvolveu a força e as técnicas necessárias para se tornar bailarina. Ela trabalhou muito e se esforçou demais para chegar onde chegou”, concluiu a mãe.

Fonte: BBC

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